Comece hoje pagando a partir de R$5/mês no plano mensal
RADAR ECONÔMICO

ONDE ESTÁ O PREJUÍZO

A falta de organização e gestão prejudica os pequenos negócios mais do que a concorrência

por Carolina Felipe da Silva
Publicado em 22/07/2026 às 21:02Atualizado em 22/07/2026 às 21:03
Carolina Felipe da Silva (Divulgação)
Galeria
Carolina Felipe da Silva (Divulgação)
Ouvir matéria

Nos últimos meses, visitando diversas micro e pequenas empresas da região pelo programa de inovação ALI Produtividade, do Sebrae-SP, percebi um padrão que se repetia: quando pergunto qual é o maior obstáculo ao desenvolvimento do negócio, a resposta quase sempre fala da concorrência. Preços abaixo do mercado, novos competidores, consumidores mais exigentes. Tudo isso existe, mas raramente é o que mais trava uma organização.

Ao contrário do que a maior parcela dos empreendedores pensa, o que mais compromete o crescimento das pequenas empresas não está fora delas. Processos que só existem na cabeça de quem executa, decisões tomadas na base do achismo, controle financeiro incompleto ou até ausente, retrabalho, desperdício de recursos ou rotina de apagar incêndio. Não é raro encontrar gestores trabalhando 12 horas por dia sem conseguir responder perguntas básicas sobre a própria operação.

Acompanhando presencialmente empresários, ao longo de uma jornada de um semestre iniciada com diagnóstico de cada área do negócio, notei que eles passaram a ter uma visão mais profissional e sistêmica da própria empresa.

Os maiores avanços quase nunca vieram de grandes investimentos, mas da concretização de uma gestão básica eficiente: indicadores e metas definidos, processos padronizados e documentados, rotina orientada por dados, saindo de uma atuação operacional do líder para uma mais estratégica. É nesse momento que a inovação é consolidada e vira prática.

O micro e pequeno empresário brasileiro trabalha muito, dedicando-se diariamente para manter a empresa em equilíbrio. O problema é que esforço não substitui gestão. Enquanto a empresa é pequena, tocar tudo pela experiência do líder até funciona. Mas o negócio cresce, chegam colaboradores, a operação fica mais complexa, e o que antes bastava vira gargalo que ninguém enxerga porque está acostumado a conviver com ele.

Implantar uma cultura de inovação e melhoria contínua não significa apostar em tecnologias caras. Para PMEs, a inovação que muda a realidade costuma ser discreta: um processo que ganha padrão, indicadores que passam a orientar decisões, responsabilidades mais claras, resultado mais previsível.

Talvez por isso tantos investimentos em tecnologia rendam pouco. A empresa busca sistemas modernos para um problema que ainda é primário. Sem constância ou planejamento para sustentar, qualquer software novo vira só mais uma ferramenta mal aproveitada.

Atestei com meus clientes que o maior desafio não é vencer a concorrência lá fora. É eliminar a desorganização que impede o negócio de mostrar seu próprio potencial. Quando a gestão melhora, a produtividade sobe, a decisão fica mais consistente e o crescimento deixa de depender só do esforço do líder para virar consequência de uma empresa mais preparada.

Carolina Felipe da Silva

Agente Local de Inovação