Na política, nas ciências, nos esportes
Considerando que o voto feminino no Brasil ainda não tem 100 anos, podemos dizer que estamos caminhando

As mulheres tiveram o direito de votar no Brasil, a partir de 1932, consolidado só na Constituição de 1934. Conquistar o direito ao voto é um primeiro passo, mas participar efetivamente do processo eleitoral com candidaturas viáveis é uma outra etapa. Somos hoje mais de 50% do eleitorado brasileiro. Temos aproximadamente 18% de mulheres na Câmara dos Deputados e 19% no Senado. Já tivemos uma presidenta da República e atualmente temos mais de 700 prefeitas. Considerando que o voto feminino no Brasil ainda não tem 100 anos, podemos dizer que estamos caminhando.
Em termos da produção de conhecimento científico e da carreira acadêmica, já há bastante tempo, as mulheres são aproximadamente 50% das doutoras no Brasil, distribuídas não uniformemente nas diversas áreas. Um nome conhecido, quando se fala de mulheres nas ciências, é o da cientista polonesa Marie Curie. Ganhadora de dois prêmios Nobel - um de Física, em 1903 e um de Química, em 1911 -, Curie estudou em uma faculdade clandestina, porque as mulheres na Polônia, naquela época, não podiam frequentar o ensino superior. Um exemplo recente em termos do trabalho das mulheres nas ciências, é a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tatiana Sampaio, com sua descoberta de uma substância com grande potencial para o tratamento de lesões medulares, a polilaminina. Ainda em testes e tendo passado por inúmeros desafios, a descoberta coloca a professora como uma possível candidata brasileira ao Nobel de Medicina.
As mulheres já foram proibidas de realizar pŕaticas esportivas, como por exemplo, o futebol. A justificativa era que o futebol poderia prejudicar nossa capacidade reprodutiva. O decreto que fazia essa proibição de 1941, só foi revogado em 1979 e regulamentado apenas em 1983. Ver as “brabas” de todos os times jogando na televisão, ver uma árbitra apitando um jogo masculino entre times grandes ou a organização de times femininos como exigência para participação dos times masculinos em campeonatos internacionais são situações que, acho eu, nem as mais otimistas jogadoras do período de proibição cogitaram.
O Dia Internacional da Mulher é um dia de luta e nesse sentido não podemos esquecer do aumento do número de feminicídios; dos episódios recentes, mas não inéditos, de estupros coletivos de mulheres; da conivência de atores dos poderes públicos com o abuso sexual de meninas; das diferenças salariais entre homens e mulheres; das triplas jornadas de trabalho feminino; das audiências públicas sobre as mulheres sem mulheres e tantos outros episódios que baixam nossa confiança na possibilidade de mudanças. A luta, nesse sentido, requer a lembrança e o reconhecimento dos nossos avanços. Lembremos das muitas “brabas”, Curies, Sampaios, Dilmas que nos permitem ver as mudanças que já aconteceram - ainda que em uma velocidade menor do que gostaríamos e do que precisamos - e nesse sentido, apesar de tudo que temos vivenciado, nos autorizam a desejar um feliz dia das mulheres para todos e todas nós.
Monica Abrantes Galindo
É vice-diretora da UNESP de Rio Preto, professora, participante dos coletivos Mulheres na Política e CDINN -Coletivo