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OLHAR 360

Lâminas Afiadas e Mulheres Desafiadas​​​​​​​​​​​​​​

O homem sempre foi mais afeito à prática do crime do que a mulher

por Fernando Fukassawa
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Fernando Fukassawa (DIARIO)
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Fernando Fukassawa (DIARIO)
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Dias destes em Belo Horizonte, Érica foi julgada porque mutilou o pênis de Everton e em seguida o matou por ter tentado abusar sexualmente da filha dela, de 11 anos. Antes, dopou com clonazepam para adormecê-lo, deu pauladas e com uma faca extirpou o negócio dele enquanto ainda estava vivo. Levou o abusador castrado para uma mata e ainda lhe meteu fogo. O júri a absolveu por legítima defesa de terceiro, mas juridicamente sabe-se que não seria bem isso.

O homem sempre foi mais afeito à prática do crime do que a mulher, mas o sexo não é criador e nem especializador da criminalidade. Menos violenta, não familiarizada com armas e sem tanta força física, às vezes a mulher usa formas sub-reptícias, mais fáceis e astutas de matar, como no caso da nora que colocou arsênico no bolo para eliminar a sogra docemente.

Mas a violência pode ser mais visível em casos semelhantes àqueles de Minas, a mostrar que também a lâmina, quando aparece nas mãos de uma mulher, não é mais suave. Em 2021, em São Gonçalo, RJ, Dayane Cristina pegou cinco anos de prisão por ter cortado o atributo do marido, tão atrevido quanto desprevenido, fato esse marcado por uma particularidade: cozinhou a salsicha dele numa frigideira, numa simulação macabra de fazer hot dog. Em 2023, em Atibaia, SP, uma mulher cortou o bilau do esposo enquanto dormia, interrompendo-lhe não somente o sono, mas o histórico de abusos que perpetrava contra uma sobrinha dela, de quinze anos.

A castração física forçada, raramente legalizada no mundo (República Tcheca, Nigéria), por aqui é modo ilegal de fazer justiça com as próprias facas. A castração química, com medicamentos para reduzir a libido, é adotada em muitos lugares. Por exemplo, na Polônia, Rússia, Cazaquistão e Indonésia, ela é imposta pela justiça. Como forma alternativa à prisão, na Coreia do Sul, Paquistão, Moldávia, Ucrânia e nos estados americanos da Califórnia, Flórida, Geórgia, Montana, Texas, Wisconsin, Iowa, Louisiana e Alabama. Na província de Mendoza, da vizinha Argentina. Na Alemanha, França, Suécia, Reino Unido, Dinamarca de Noruega, a desvirilização química é frequentemente aplicada de forma consensual. No Brasil, o assunto foi levantado no Congresso em 2024, mas o projeto foi cortado e não foi erigido em lei.

Crimes violentíssimos assim carregam situações curiosas. Em 2024, em Santo André, SP, uma mulher foi presa por decepar o brioso do companheiro. Meses após o crime, o homem passou a visitá-la na prisão, afirmando que a perdoava, e que ambos ainda mantinham um vínculo afetivo, apesar do definitivo e violento método contraceptivo. Em 2014, em Olhos D'Água, MG, uma mulher degolou o piru do ex-noivo com um canivete após ser atraída para um encontro onde ele supostamente tentaria reatar o relacionamento. O destaque se deu porque a medicina deu uma pirueta e costurou o que a violência separou: a vítima conseguiu um reimplante bem-sucedido.

Substituir pênis é também tão peculiar quanto complexo. Embora de crime não se tratasse, ganhou evidência o caso chinês de 2006, em Guangzhou. A cirurgia de transplante foi considerada um sucesso técnico e anatômico pelos médicos, com restabelecimento de todas as funções do órgão. O top das galáxias. Mas um fator psicológico provocou mais que um simples desconforto: o chinês e sua esposa começaram a manifestar uma forte repulsa ao novo falo mágico que entrou na vida do casal. Descreveram um sentimento de estranheza insuportável por saberem que o órgão pertencera a um jovem congolês de 22 anos, morto em acidente e agora em parte monumentalmente ressuscitado, em tudo muito diferente, como pode ser imaginado. Foi necessária a remoção, não por falha biológica ou rejeição do sistema imunológico: a sempre fiel e pudica esposa não conseguia aceitar a situação porque tinha a impressão de que, na hora de fazer o bicho de duas costas, estava traindo o marido...com o próprio marido!