Embaixadores de Projeto
Nossos formandos são nossos representantes de mais alto escalão, pois são a prova viva do sucesso da universidade pública e preocupada com a diversidade

Nesta última semana, tive a honra de ser a patronesse dos formandos de 2025 da Unesp em Rio Preto. No discurso, meu foco foi que, para além dos títulos acadêmicos, eles seriam doravante nossos embaixadores e embaixadoras. Um embaixador é o representante diplomático de mais alto escalão de um Estado ou organização internacional, enviado a outro país para mediar relações, proteger interesses nacionais e promover laços culturais e econômicos.
Nossos formandos são nossos representantes de mais alto escalão, pois são a prova viva do sucesso da universidade pública e preocupada com a diversidade. Atuando no Brasil e no mundo, poderão ser os responsáveis por novos contatos entre a universidade e a sociedade. Poderão prestar assistência por meio de informações qualificadas e da experiência que irão adquirir. Modernamente, falamos de networking, mas a compreensão autêntica da necessidade do trabalho e da colaboração coletiva — para além das vantagens unicamente pessoais — e a compreensão de que o mérito nunca é individual não podem ser esquecidas.
Nossos novos embaixadores levarão informações sobre a universidade, considerando que há parcelas da população que não conhecem as várias formas de acesso ao ensino superior, não sabem que a universidade é gratuita, da possibilidade de terem bolsas e de que todo nosso corpo docente é formado por doutores que desenvolvem pesquisas nas mais diversas áreas. Em síntese, a universidade pública é um projeto de desenvolvimento da nação: desenvolvimento coletivo e também individual.
Destaquei também alguns aspectos do nosso contexto. Temos o estado de Santa Catarina querendo proibir as cotas nas universidades estaduais, na contramão de tudo o que tem sido provado a respeito das vantagens da reserva de vagas nas universidades e nas empresas. Temos em curso a alteração do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que pode colocar em risco a sustentação financeira das universidades públicas paulistas. Existem entre nós, lideranças políticas e religiosas que falam, sem constrangimento, que o ensino superior não é necessário.
Em um contexto de modernidade, com o crescente uso da Inteligência Artificial, convivemos também com a barbárie revelada nos maus-tratos gratuitos aos animais, como o cão Orelha, no aumento dos feminicídios e na indiferença coletiva frente aos assassinatos de jovens negros nas periferias das cidades. No contexto internacional, os interesses individuais das nações se sobrepõem às vidas e descartam os acordos internacionais que buscam manter alguma paz na convivência.
Um embaixador é um agente da política. Defender projetos e ideias é se posicionar politicamente. Otto Lara Resende, famoso por suas frases, disse que a política é uma tentativa de driblar a morte. Sem diálogo, sem política, sem embaixadores, morrem os projetos e as pessoas. No fundo, de maneira ampla, todos nós precisamos ser embaixadores e embaixadoras dos projetos em que acreditamos. Quiçá acreditemos em projetos que construam o bem comum.
Monica Abrantes Galindo
É vice-diretora da UNESP de Rio Preto, professora, participante dos coletivos Mulheres na Politica e CDINN -Coletivo