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ARTIGO

O xadrez dos vírus respiratórios em Rio Preto

Saber exatamente qual vírus está circulando permite um isolamento mais assertivo

por Maria Gabriela de Lucca Oliveira
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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Por que os sintomas parecem todos iguais? Essa é uma dúvida cada vez mais comum entre pacientes que chegam ao consultório ou ao laboratório: é gripe, resfriado ou ainda é Covid?

Atualmente, vivemos um cenário epidemiológico atípico em Rio Preto, com a circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios. Os dados mais recentes mostram que a Influenza A decidiu chegar mais cedo este ano, antecipando um comportamento normalmente observado nos meses mais frios. Além dela, o rinovírus continua sendo um dos principais responsáveis pelas tosses e congestões nas escolas e escritórios.

O Vírus Sincicial Respiratório, o VSR, exige atenção redobrada com os menores de 2 anos, grupo mais vulnerável. Ao mesmo tempo, o SARS-CoV-2 também se faz presente em alguns casos.

Diante desse cenário, é natural que os sintomas pareçam semelhantes. Febre, tosse, dor no corpo, coriza e cansaço estão presentes em diferentes infecções virais, o que dificulta a identificação apenas pela avaliação clínica.

Por isso, a precisão no diagnóstico se torna ainda mais importante. O que funciona para um determinado vírus pode não ter efeito contra outro. O uso indiscriminado de medicamentos, especialmente antibióticos, pode mascarar sintomas, atrasar diagnósticos e contribuir para a resistência bacteriana.

Além disso, saber exatamente qual vírus está circulando na sua casa, no ambiente de trabalho ou na escola permite um isolamento mais assertivo, reduzindo a cadeia de transmissão. Essa identificação é especialmente relevante para proteger idosos, bebês e pessoas com doenças crônicas.

Outro ponto importante é o impacto coletivo dessas infecções. Ambientes com alta circulação de pessoas, como escolas e empresas, funcionam como amplificadores da transmissão viral. Quando não há clareza sobre o diagnóstico, aumenta a exposição desnecessária e o número de afastamentos.

Neste momento de alta circulação viral, a informação é a principal ferramenta de prevenção. Se os sintomas aparecerem, repouso e hidratação continuam sendo fundamentais, assim como evitar contato próximo nos primeiros dias. Identificar o agente causador é o que permite agir com segurança.

Cuidar da própria saúde também é uma forma de cuidar de quem está ao nosso redor.

Maria Gabriela de Lucca Oliveira

Patologista clínica do Ultra-X.