Olhar 360

O sempre nefasto discurso de Lula

Uma sociedade dividida pelo ódio estimulado torna-se incapaz de construir consensos mínimos sobre temas prioritários

por Marco Feitosa
Publicado em 15/07/2026 às 22:45Atualizado em 16/07/2026 às 07:05
Marco Feitosa (Marco Feitosa)
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Em qualquer democracia que pretenda alcançar a maturidade, o debate público deve girar em torno de propostas, eficiência administrativa e visões distintas de desenvolvimento. No Brasil contemporâneo, contudo, assistimos à insistente sobrevivência de uma retórica ultrapassada, mas de inegável apelo emocional: a divisão maniqueísta do tecido social.

A narrativa reiteradamente adotada pelo presidente Lula, que busca dividir o país entre uma suposta "elite rica e insensível" e os "pobres virtuosos e puros", não representa apenas um artifício eleitoral desgastado. Trata-se de uma distorção filosófica profunda e de um sintoma de gritante incoerência prática.

Do ponto de vista da filosofia moral, a tentativa de associar o caráter humano à faixa de renda do indivíduo carece de qualquer sustentabilidade ética. Essa retórica opera sob uma versão vulgarizada do mito do "bom selvagem", transportada para a sociologia econômica: a pobreza seria um certificado automático de pureza espiritual, enquanto o sucesso material corromperia, inevitavelmente, a conduta humana.

Esse reducionismo rasteiro desumaniza ambos os lados. Retira-se do cidadão de baixa renda a sua complexidade moral e o seu arbítrio individual, tratando-o como peça de um teatro político em que só pode atuar como vítima passiva.

Paralelamente, demoniza-se o empreendedor, o produtor e o profissional liberal, cuja riqueza frequentemente resulta de esforço, inovação e da geração de empregos que sustentam a própria máquina pública. Se ignora que a virtude reside nas escolhas e no caráter do indivíduo, não em suas posses materiais. A retidão moral é democrática e independe do saldo bancário.

O ponto mais absurdo dessa narrativa, porém, surge quando confrontado com os hábitos quem a profere. O presidente que prega a aversão à riqueza se lambuza em um estilo de vida de grande ostentação. O contraste entre a pregação da simplicidade e a prática palaciana manifesta-se nos gastos milionários das comitivas presidenciais em hotéis de altíssimo luxo pelo mundo, custeados pelo pagador de impostos. Ganha relevo simbólico a ostentação de itens de alto valor, como relógios de marcas suíças exclusivas e vestuários de grifes internacionais em agendas oficiais.

O consumo de bens sofisticados não constitui ilícito em uma sociedade livre, mas transforma-se em monumento à hipocrisia quando praticado por quem rotineiramente discursa atacando a classe média por querer consumir mais do que o estritamente necessário. A mensagem subliminar que emana do poder é a de que o requinte só é nocivo quando pertence aos outros.

Promover a divisão social como plataforma de governabilidade gera consequências catastróficas para a sociedade. O maior dano dessa estratégia não é econômico, mas institucional e moral: a erosão da confiança mútua entre os cidadãos.

Quando Lula utiliza o microfone oficial para qualificar determinados setores da sociedade como inerentemente maus ou exploradores, valida-se e estimula-se a intolerância. O debate de ideias cede lugar à tentativa de aniquilamento moral do adversário. O gerador de empregos passa a ser enxergado como inimigo a ser combatido, enquanto o sucesso individual torna-se objeto de suspeita sistemática.

Uma sociedade dividida pelo ódio estimulado torna-se incapaz de construir consensos mínimos sobre temas prioritários, como segurança, educação e reformas estruturais. Diferentemente de Lula, o papel precípuo de um Chefe de Estado é o de unir a nação e buscar o bem comum, e não o de atuar como o principal indutor de uma guerra cultural e econômica artificial para consolidar projetos de poder.

Marco Feitosa

Advogado e coordenador do Estado de São Paulo do Movimento Livres