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ARTIGO

O futuro de Rio Preto em disputa

A democracia não se perde de uma vez. Ela se desgasta aos poucos

por Carlos Alexandre
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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Vivemos um tempo em que a política deixou de ser apenas um tema distante e passou a fazer parte do cotidiano das pessoas. Isso não é um problema. Pelo contrário. É sinal de que a sociedade está viva, atenta e participativa.

Ao longo da história, momentos de crise e transformação abriram espaço para diferentes caminhos. E nada avançados. Após a Primeira Guerra Mundial, por exemplo, o mundo assistiu à ascensão de regimes autoritários liderados por figuras como Benito Mussolini e Adolf Hitler, que cresceram explorando o medo, a insegurança e a frustração das pessoas. Prometiam ordem, mas entregaram repressão, violência e tragédias como a Segunda Guerra Mundial.

Hoje, o mundo é outro, mas os sinais de alerta continuam existindo. Não vivemos, sobretudo no Brasil, sob regimes “declaradamente” autoritários, mas vemos crescer discursos que flertam com as mesmas práticas fascistas, criam divisões artificiais e colocam em dúvida instituições que sustentam a democracia.

Muitas vezes, isso acontece de forma sutil, por meio de desinformação, ataques constantes e narrativas mentirosas que transformam adversários em inimigos.

E aqui está o ponto central. A democracia não se perde de uma vez. Ela se desgasta aos poucos. Por isso, mais do que escolher lados é fundamental escolher princípios. Respeito às regras do jogo, compromisso com a verdade, valorização do diálogo e defesa dos direitos de todos, inclusive de quem pensa diferente.

Rio Preto, como tantas cidades brasileiras, carrega sua diversidade. É verdade que há uma tradição mais conservadora, mas também é evidente o crescimento de um pensamento mais aberto, mais preocupado com inclusão, justiça social e oportunidades para todos.

E isso não deve ser visto como conflito, mas como evolução natural de uma sociedade que amadurece. O progresso não está em impor ideias, mas em ampliar horizontes. É possível discordar sem desrespeitar. É possível debater sem destruir. É possível avançar sem deixar ninguém para trás.

A construção de uma cidade mais justa, mais moderna e mais humana depende exatamente disso. Da capacidade de dialogar, de ouvir e de construir coletivamente.

No fim das contas, a pergunta não é quem está certo hoje. Mas que tipo de sociedade queremos construir amanhã. Qual a Rio Preto que queremos. E essa resposta não virá pronta. Ela será construída, todos os dias, por cada um de nós.

Carlos Alexandre

Presidente Municipal do PT Rio Preto. Formado em Adm. Pública pela Federal de Ouro Preto.