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EDITORIAL

O Aedes ainda resiste

Em 2025, Rio Preto registrou mais de 52 mil casos e 40 mortes por dengue. São números que não podem ser relativizados nem esquecidos com o passar dos meses

por Da Redação
Publicação em 25/04/2026
Editorial (Divulgação)
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O combate à dengue não pode ser tratado como uma ação sazonal, restrita aos períodos de chuva, como mostrou reportagem recente publicada pelo Diário. No Noroeste paulista, essa percepção equivocada custa caro todos os anos. A doença não desaparece com a estiagem, tampouco dá trégua quando o assunto sai das manchetes. O mosquito Aedes aegypti continua circulando, encontrando abrigo e se reproduzindo em condições muitas vezes ignoradas pela população.

O exemplo recente de Rio Preto é um alerta contundente. Em 2025, a cidade registrou mais de 52 mil casos e 40 mortes por dengue. São números que não podem ser relativizados nem esquecidos com o passar dos meses. Cada dado representa uma vida afetada, famílias impactadas e um sistema de saúde pressionado ao limite.

É justamente nos períodos mais secos que a vigilância precisa ser reforçada. A falsa sensação de segurança leva ao relaxamento das medidas preventivas, criando o ambiente ideal para a proliferação do mosquito em recipientes com água parada, muitas vezes dentro das próprias residências. Pequenos descuidos, somados, alimentam grandes surtos.

A responsabilidade é coletiva. Cabe à população eliminar criadouros, manter caixas d’água fechadas, limpar calhas e descartar corretamente objetos que possam acumular água. São ações simples, mas que exigem constância e consciência. Não se trata de esforço pontual, mas de um compromisso permanente.

No entanto, é fundamental destacar que a responsabilidade não pode ser transferida integralmente ao cidadão. Investimentos em estrutura, agentes de saúde e estratégias de monitoramento são indispensáveis. Além disso, a transparência na divulgação de dados e o engajamento da comunidade são ferramentas essenciais para manter a população informada e mobilizada ao longo de todo o ano.

Ignorar a dengue fora do período chuvoso é repetir um ciclo que já se mostrou ineficaz e perigoso. A memória recente de Rio Preto precisa servir como um ponto de virada. Não é aceitável naturalizar números tão elevados nem esperar que novas tragédias ocorram para retomar ações básicas.