Moradia para pessoas em situação de rua
Além da moradia, é preciso pensar em garantir trabalho e dignidade

O crescimento do número de pessoas em situação de rua desafia o poder público e a sociedade. Ignorar o problema não é uma opção, mas enfrentá-lo exige mais do que boas intenções. É preciso construir políticas públicas capazes de transformar vidas, e não apenas administrar a pobreza.
A utilização de prédios abandonados para criar moradias sociais pode ser uma alternativa inteligente, mas está longe de ser a solução. Um teto oferece proteção, porém não elimina as causas que levaram milhares de pessoas às ruas.
O primeiro passo deve ser uma triagem técnica e criteriosa. Há pessoas que perderam o emprego ou os vínculos familiares; outras enfrentam transtornos mentais e precisam de atendimento especializado; muitas sofrem com a dependência química e necessitam de tratamento; e há, infelizmente, indivíduos envolvidos com a criminalidade. Tratar situações tão diferentes da mesma maneira é comprometer qualquer política pública.
Depois do acolhimento, vem a etapa mais importante: devolver autonomia. Isso significa qualificação profissional, acesso ao mercado de trabalho e acompanhamento para que essas pessoas reconstruam suas vidas. O emprego não representa apenas renda; representa autoestima, responsabilidade e pertencimento à sociedade.
Também é necessário administrar com responsabilidade os recursos públicos. A população e o setor produtivo já suportam uma elevada carga tributária. As políticas sociais precisam gerar resultados concretos, com eficiência, transparência e acompanhamento permanente.
A verdadeira solução não está apenas em oferecer moradia. Está em unir acolhimento, tratamento, capacitação e trabalho. Somente assim será possível romper o ciclo da exclusão e devolver às pessoas aquilo que elas mais precisam: dignidade e a oportunidade de caminhar com as próprias pernas.
João Passos Nogueira Filho
Criador do Grupo Força-Tarefa para o Desenvolvimento do Centro de São José do Rio Preto.