Comece hoje pagando a partir de R$5/mês no plano mensal
ESPAÇO DO LEITOR

Modernidade

por Da Redação
Publicado há 9 minutos
Espaço do leitor
Galeria
Espaço do leitor
Ouvir matéria

Chamamos de progresso a transformação de tudo em aplicativos, senhas, reconhecimento facial e portais digitais. Bancos desapareceram das ruas, repartições públicas reduziram o atendimento humano e empresas trocaram pessoas por telas. Em nome da eficiência, criou-se uma sociedade onde o acesso aos direitos passou a depender de intimidade com a tecnologia.

Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: progresso para quem? Uma sociedade que obriga um idoso de 90 anos a usar um smartphone para acessar serviços essenciais não é moderna. É apenas uma sociedade que decidiu abandonar silenciosamente parte da própria população.

Hoje, para pagar contas, agendar consultas, solicitar documentos ou acessar benefícios, exige-se celular atualizado, internet constante, senhas, códigos e conhecimento digital. Quem não consegue acompanhar esse modelo torna-se invisível. Não por falta de direitos, mas porque os caminhos para exercê-los foram substituídos por barreiras tecnológicas.

Digitalizar serviços é avanço? Eliminar o atendimento humano é exclusão. A tecnologia deveria aproximar, simplificar e incluir. No entanto, tornou-se comum ver idosos dependentes de filhos, netos ou vizinhos para realizar tarefas básicas da vida. E muitos sequer têm alguém para ajudar. O resultado é cruel: pessoas que trabalharam a vida inteira passam a enfrentar humilhação para exercer direitos elementares.

Existe uma diferença moral entre inovação e comodismo institucional. A primeira amplia cidadania. O segundo transfere ao cidadão o peso da incapacidade do sistema de acolher diferentes realidades. Nenhuma sociedade será verdadeiramente moderna enquanto tratar dignidade como privilégio de quem consegue navegar em um aplicativo. Quando o acesso aos direitos deixa de ser simples e humano, o que fracassa não é o cidadão. É o próprio conceito de civilização.

Walter Henrique Bernardelli, Rio Preto

Agressão

Sobre a notícia "Inspetora é agredida por mãe de aluno em escola no Solo Sagrado, em Rio Preto", são os mesmos "pais e alunos" que, daqui a alguns anos, vão dizer "nossa, não tivemos oportunidades nessa vida". Se não respeitam regras escolares, vão respeitar o quê? Só a educação leva uma nação a ser melhor.

Raphael Tavares Mantovani, via Facebook