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Rio preto em foco

MILTON HOMSI, 93 ANOS DE VIDAS

Filho do industrial libanês Murchid Homsi, Milton herdou a veia comercial do pai e começou cedo a empreender

por Fernando Marques
Publicado há 2 horas
Inauguração da avenida Murchid Homsi com o prefeito Wilson Calil e Raul de Aguiar Ribeiro (Acervo de família)
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Inauguração da avenida Murchid Homsi com o prefeito Wilson Calil e Raul de Aguiar Ribeiro (Acervo de família)
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Você já deve ter ouvido aquela frase: “Você é de Rio Preto e não sabe quem foi...” Pois é. Se você é de Rio Preto e nunca ouviu falar de Milton Luiz Homsi, então talvez não seja tão rio-pretense assim. Milton está completando 93 anos de vida — ou melhor, de vidas.

De muita história. Filho do industrial libanês Murchid Homsi, considerado um dos maiores industriais estabelecidos na cidade entre as décadas de 1930 e 1950, Milton herdou a veia comercial do pai e começou cedo a empreender. Aqui, criou vários estabelecimentos, quase todos com o nome da cidade na razão social Pastifício Rio Preto, ao lado do saudoso Samy Gorayeb, além de Laticínios Rio Preto, Curtume Rio Preto e Cotonifício Rio Preto, entre outros.

Atuou também com colonização em Mariluz, no Paraná, e no ramo do milho em Paulo de Faria, em 1966, com a empresa Satélite Armazéns Gerais, que virou reportagem da produtora Jotacê Filmes, de Jaime Colagiovanni e Amaury Jr. Nas décadas de 1950 e 1960, Milton era considerado um verdadeiro playboy rio-pretense. Estava em tudo: revistas, jornais e até no cinema, através das lentes da Cometa Filmes. Milton aparece em muitas reportagens, inclusive ao lado do então governador Jânio Quadros, que chegou a se hospedar em sua casa na rua Voluntários de São Paulo, onde reside até hoje.

Depois, ele passou um longo período vivendo na capital paulista. Mas o que Milton mais gosta mesmo é reencontrar amigos de décadas — e outros que foi fazendo pelo caminho, como eu, que tive o privilégio de ouvir histórias e detalhes que não estão registrados nos anais oficiais da cidade. Seus causos são únicos, de quem foi testemunha ocular de muitos fatos e acontecimentos.

Ele conhece particularidades de políticos, figuras ilustres e personagens pitorescos da cidade. Sua grande paixão, porém, é cantar tangos — e canta muito bem. Seu saudoso irmão Carlos Alberto “Nenê” Homsi, querido colunista social, também gostava de cantar, inclusive tangos. Na década de 1960 tentou a vida como cantor de bossa nova em São Paulo, onde chegou a gravar um único disco de demonstração.

Há quase uma década fui convidado para mais um aniversário de Milton, em sua casa na rua Voluntários. Na ocasião contei a ele e aos presentes que havia comprado esse “filho único” em um sebo em São Paulo. Quase ninguém acreditou — só Milton, que disse: “Vá buscar e tape a boca de todos.” Fui, e voltei também com uma grafonola. Tocamos o disco para todos, inclusive Nenê, ouvirem, boquiabertos. Milton me deu um beijo e disse: “Eu sabia que você não iria blefar.” Parabéns, mestre Milton Homsi.