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Personagens da nossa história

LEGADO URBANO

O engenheiro civil Ugolino Ugolini traçou as primeiras ruas de Rio Preto no final do século 19

por Raul Marques
Publicado há 1 hora
Ugolino Ugolini (Lézio Jr.)
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Ugolino Ugolini (Lézio Jr.)
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Em Florença, capital da região Toscana, na Itália, nasceu Niccola Antonio Raffaello Melchiore Ugolino Ugolini, em 1851. Ugolino Ugolini, como ficou conhecido, atuava como engenheiro civil e viveu a primeira parte da vida em seu país.

No final do século 19, a Itália enfrentava uma grave crise socioeconômica e, ao mesmo tempo, o Brasil necessitava de profissionais em diversos setores fundamentais. Dessa forma, imigrou aos 38 anos.

Em 1889, desembarcou no Porto de Santos e trouxe na bagagem, além da vontade de realizar, uma carta de recomendação, escrita pelo historiador Cesare Cantú e dirigida ao Imperador Pedro 2º, que estava de saída do Brasil, em razão da Proclamação da República. Assim, os dois nunca se encontraram.

Ugolino Ugolini foi para a Argentina e comandou a construção de ferrovias em Tucumán. Depois da experiência, instalou-se em São Paulo.

Em 1893, ingressou na Expedição Hummel, organizada pela Comissão Geográfica e Geológica, do Governo do Estado de São Paulo.

O projeto comandado por Olavo Hummel consistiu em fazer o traçado da Estrada do Taboado, ligando Jaboticabal ao Porto Taboado, em Aparecida do Taboado (MS).

Para participar da empreitada, Ugolino Ugolini se fixou em Rio Preto e, partir de então, desenvolveu relevantes trabalhos locais. É autor do primeiro mapa da cidade, feito por encomenda da Igreja Católica, por meio do padre José Bento da Costa.

Fez o planejamento urbano do vilarejo, que contava com somente 20 ruas e 800 moradores. Conhecidas como de Cima, de Baixo, do Comércio, entre outras, as vias passaram a receber nomes oficiais do Poder Público.

Nos estudos, Ugolino Ugolini não olhou só para o presente, porém vislumbrou o futuro, com Rio Preto se transformando em uma localidade representativa que hoje, com mais de 500 mil habitantes, é referência regional e estadual.

Também registrou os terrenos, mapeou a área entre os córregos Borá e Piedade e elaborou um projeto com praças que deveriam ser construídas, como a Rui Barbosa, muito representativa na atualidade em Rio Preto.

Traçou as estradas que interligaram Rio Preto a Catanduva, Rio Preto a Avanhandava e Rio Preto a Penápolis, facilitando o acesso do município rio-pretense a diversas cidades que se destacavam economicamente.

Ao longo de 1898, obteve três concessões da Câmara de Rio Preto. Em sociedade com Adolpho Guimarães Corrêa, recebeu autorização pública para explorar o Salto do Avanhandava e construir uma linha de bondes de Rio Preto a Salto do Avanhandava.

Ugolino Ugolini poderia responder pelos serviços telefônicos, mas perdeu os direitos por não cumprir os prazos. Vereador de Rio Preto em 1899, teve o mandato cassado, no ano de posse, por faltar às sessões.

Defensor do meio ambiente

Ugolino Ugolini é importante na urbanização de Rio Preto (Reprodução)
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Ugolino Ugolini é importante na urbanização de Rio Preto (Reprodução)

Além de questões fundamentais para o urbanismo local e regional, Ugolino Ugolini também se destacou como ambientalista. É um dos primeiros defensores do meio ambiente em Rio Preto, conforme demonstram seus atos.

Em 29 de outubro de 1907, consta que Ugolino Ugolini pediu ao diretor da Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo, Gustavo D’Utra, a proibição da pesca indiscriminada nos rios e córregos.

O diretor não só acatou a sugestão, como determinou imediatamente que as autoridades municipais multassem a prática.

Quatro anos depois, em 1911, Ugolino Ugolini enviou uma carta à Câmara para alertar os vereadores sobre os riscos de construir o 1º Grupo Escolar no terreno onde funcionava o Cemitério Velho (Fórum, no Centro).

Com base no Código Sanitário Francês, argumentou que a área poderia oferecer risco de contaminação. A legislação da França considerava infectada “a zona circunstante aos cemitérios em um raio de 50 a 100 metros”.

A escola, no entanto, acabou construída no lugar projetado inicialmente.

Ugolino Ugolini, que dá nome à praça na Vila Maceno, morreu em Rio Preto no dia 2 de agosto de 1914. Apesar de ter atuado em grandes projetos e colaborado com a urbanização rio-pretense, não tinha recursos financeiros no final da vida. Seu sepultamento e túmulo foram custeados pela Maçonaria.

O túmulo construído no Cemitério da Ressureição por Aristides Corradini é tombado pelo patrimônio municipal.

Perfil

Niccola Antonio Raffaello Melchiore Ugolino Ugolini

Como era conhecido: Ugolino Ugolini

Atuação: Engenheiro civil, urbanista e jornalista

Nascimento: Florença, Itália

Data: 1851

Chegada ao Brasil: 1889

Morte: São José do Rio Preto

Data: 2/8/1914

Política: Vereador de Rio Preto em 1899, teve o mandato cassado, no mesmo ano de posse, por faltar às sessões

Educação: Professor substituto na Escola Municipal (1897)

Urbanização: É autor do primeiro mapa de Rio Preto por encomenda da Igreja Católica, por meio do padre José Bento da Costa. Traçou as estradas que ligaram Rio Preto a Catanduva, Rio Preto a Avanhandava e Rio Preto a Penápolis

Maçonaria: Orador da Loja Maçônica Cosmos (1908 e 1909)

Projeto: Integrante da Expedição Hummel, liderada pelo engenheiro Olavo Hummel, em 1893, que fez o traçado da Estrada do Taboado, ligando Jaboticabal a Porto Taboado, na cidade de Aparecida do Taboado (MS)

Concessões: Obteve três na Câmara de Rio Preto ao longo de 1898, pelo período de 20 anos. Em sociedade com Adolpho Guimarães Corrêa, recebeu autorização pública para explorar o Salto do Avanhandava e construir uma linha de bondes entre Rio Preto e Salto do Avanhandava. Ugolino Ugolini também poderia explorar os serviços telefônicos, mas perdeu os direitos por não cumprir os prazos