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PAINEL DE IDEIAS

Junior e os moinhos de vento

Neto do alfaiate Abrão Farah e filho do bancário Walter Farah, Junior insiste em carregar consigo a decência de um Dom Quixote, que não esmorece em sua luta permanente

por José Luís Rey
Publicado em 25/07/2026 às 13:55Atualizado em 25/07/2026 às 14:04
José Luís Rey (Divulgação)
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José Luís Rey (Divulgação)
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Meu primo Junior Farah – por méritos próprios, uma das maiores referências rio-pretenses em matéria de devoção ao esporte amador da cidade, especialmente ao judô, modalidade à qual dedicou a vida na formação de várias gerações de jovens à excelência do tatame – escreve para sugerir, neste espaço, uma abordagem a propósito das diferenças abissais entre os investimentos públicos nas modalidades amadoras e o futebol.

A contiguidade com o recente papelão da Seleção Brasileira masculina na Copa da Fifa deste ano acentua a incredulidade do Junior em relação à diferença de tratamento entre os futebolistas e outros heróis brasileiros, como o mesatenista Hugo Calderano, a judoca Bia Souza, o nadador paralímpico Gabrielzinho Araújo e a ginasta Rebeca Andrade, para ficar apenas nos nomes que me ocorrem de primeira.

A comparação ganha contornos de tripudiação sobre a realidade brasileira quando se sabe que, entre os 26 convocados da Seleção de futebol, apenas um retornou ao Brasil no avião fretado pela CBF após a eliminação precoce para a Noruega nas oitavas de final – todos os demais debandaram rumo a paraísos de férias na Europa e nos Estados Unidos…

Em contraposição a esse estado de coisas, bem agora, nesta semana em que se disputam os Jogos Regionais na cidade de Penápolis, sabe-se, apenas a título de exemplo, que a equipe campeã na modalidade do judô, justamente Rio Preto, voltou com o título, mas sem o correspondente troféu alusivo à conquista: é que a Secretaria Estadual de Esportes, realizadora do evento, informou que não havia verba para a aquisição do troféu. Rio Preto, que já venceu a competição de judô nos Jogos Regionais por mais de vinte vezes em que a competição se realiza, teve que conformar-se com a frustração.

Mas voltemos ao comparativo com os privilégios devotados ao futebol profissional. É fácil compreender a revolta do Junior quando se conhece a essência dele. Neto do alfaiate Abrão Farah e filho do bancário Walter Farah, Junior insiste em carregar consigo a decência de um Dom Quixote, que não esmorece em sua luta permanente – nos tatames e no dia a dia da vida – contra os moinhos de vento gigantescos, às vezes confundidos com dirigentes de confederações esportivas, gestores da aplicação dos recursos públicos ou patrocinadores que não perdem a oportunidade de associar o esporte brasileiro a casas de apostas, bebidas alcoólicas, jogos eletrônicos e o escambau.

Siga em frente, Junior; um dia chegaremos lá.

JOSÉ LUÍS REY

Jornalista em Rio Preto. Escreve quinzenalmente neste espaço aos domingos