ESPAÇO DO LEITOR

Jocelino

por Da Redação
Publicação em 17/03/2026
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Há muito tempo eu desejava escrever sobre os artigos desse artista das palavras, esse artesão de memórias que, domingo após domingo, me presenteia com histórias que parecem sopros de um passado que ainda vive dentro de mim. Cada texto seu me devolve, com delicadeza, às minhas mais de oito décadas de lembranças — à infância simples, à adolescência cheia de descobertas, aos costumes que uniam as pessoas antes que a tecnologia nos afastasse.

Nas linhas de Jocelino Soares reencontro a pureza dos gestos, o valor das amizades sinceras, o trabalho duro que moldava homens e mulheres, e a poesia escondida no cotidiano. Ele escreve, e eu viajo. Ele recorda, e eu revivo. Neste domingo, 15 de março, finalmente li o que aguardava com ansiedade: a segunda parte de A Noiva Devolvida. Já havia me encantado com a primeira, mas novamente Jocelino me surpreendeu com sua escrita leve, emotiva e sempre tão humana. Seus artigos não apenas contam histórias — eles as eternizam com suas conclusões.

Por isso, ouso sugerir a esse brilhante escritor que reúna seus incontáveis textos em uma coletânea. Um livro que não seria apenas um registro, mas um presente. Um relicário de memórias que continuará a tocar corações muito além das páginas do jornal.

João Roberto Antonio, Rio Preto

Sem CPF

No Brasil, o erro do agente público raramente tem nome, rosto ou consequência. O prejuízo é coletivo; a responsabilidade, não. O rombo não assina contrato. A decisão equivocada não responde pessoalmente. A conta vai para o cidadão. Criamos um modelo em que o poder decide, erra e gasta com baixo risco individual. Não é acidente — é desenho institucional.

O servidor público deveria servir. Mas, em muitos casos, o cargo passou a servir ao ocupante. Estabilidade virou blindagem, corporativismo virou regra e avaliação de desempenho permanece tabu. O resultado é um Estado caro e autorreferente. Quando o orçamento estoura, ninguém responde. Mas quando o imposto sobe, o CPF do contribuinte aparece com precisão cirúrgica.

A impunidade administrativa é antieconômica. Onde o erro não custa, ele se repete. A provocação é inevitável: se pagássemos menos aos políticos e investíssemos mais em educação, teríamos mais pessoas inteligentes e menos leis estúpidas. Enquanto decisões públicas não tiverem responsabilidade individual clara, o desperdício continuará estrutural.

Enquanto o erro público não tiver CPF, a falta de progresso continuará tendo boleto — e ele sempre chega ao mesmo endereço.

Walter Henrique Bernardelli, Rio Preto