Inovação a favor da saúde
Durante décadas, acordar de madrugada e viajar dezenas de quilômetros para realizar um exame simples foi uma rotina considerada normal por milhares de moradores da região

Iniciado há sete meses, um projeto da Funfarme, mantenedora do Hospital de Base, reduziu de forma drástica o drama de moradores da região que vivem da chamada “ambulancioterapia”. Reportagem que foi manchete do Diário no último sábado, 20, mostra que 10,5 mil pacientes deixaram de se deslocar para Rio Preto para atendimento no HB graças à tecnologia e às parcerias que descentralizam as coletas laboratoriais.
Os impactos são positivos em diversas frentes, desde a humanização dos atendimentos - evitando deslocamentos exaustivos de pacientes - até a redução no fluxo de pessoas no Ambulatório do HB em Rio Preto. São facilidades para pessoas como dona Isabel Ferreira, moradora de Orindiúva, que perdia o dia inteiro quando vinha a Rio Preto para realizar uma simples coleta de sangue. O impacto na qualidade de vida é alto, uma vez que ela possui doença autoimune, precisa de acompanhamento regular e sofre com as dores da fibromialgia.
Além das coletas de exames nas cidades de origem, a expansão da telessaúde também veio para economizar tempo e dinheiro tanto dos pacientes quanto do hospital, além de garantir mais agilidade. No fim do ano passado, a entrega de novos kits pelo Ministério da Saúde, em um investimento de R$ 5 milhões, levou o HB a projetar uma redução de até 30% no número de pacientes que precisam se deslocar até Rio Preto apenas para retornos ou resultados de exames.
Os números já demonstram que a proposta produz resultados concretos. Em apenas sete meses, foram realizados cerca de 84 mil exames laboratoriais em municípios da região, reduzindo em mais de 21% o fluxo presencial de pacientes no Ambulatório do Hospital de Base. No Instituto do Câncer, uma das áreas em que o deslocamento costuma ser ainda mais desgastante, o volume diário de coletas caiu pela metade. Menos filas, menos espera e mais conforto para quem já enfrenta situações delicadas de saúde.
Outro aspecto relevante é que a descentralização beneficia não apenas os pacientes, mas também as prefeituras. Recursos antes consumidos pelo transporte constante de pessoas para Rio Preto podem ser direcionados a outras demandas da saúde pública. Trata-se de uma medida que melhora o atendimento sem exigir estruturas complexas ou grandes expansões físicas, apenas utilizando de forma mais inteligente os recursos disponíveis.
Durante décadas, acordar de madrugada, viajar dezenas de quilômetros e perder um dia inteiro para realizar um exame simples foi uma rotina considerada normal por milhares de moradores da região. A experiência mostra que muitos desses deslocamentos eram consequência de gargalos organizacionais e tecnológicos que hoje começam a ser superados.
Quando a inovação é aplicada para aproximar os serviços de quem mais precisa deles, o principal beneficiado é o cidadão, que passa a receber atendimento com mais dignidade, rapidez e eficiência.