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Conjuntura

Impactos econômicos da guerra

Vivemos numa sociedade cada vez mais individualista e imediatista, onde governantes incompetentes e imediatistas adotam políticas equivocadas e agressivas e não se atentam para as consequências

por Ary Ramos da Silva Júnior
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Ary Ramos da Silva Júnior (Ary Ramos da Silva Júnior)
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Este espaço procura compreender os grandes desafios da sociedade contemporânea, as transformações tecnológicas, as alterações no mundo do trabalho, as mudanças econômicas, as movimentações políticas e geopolíticas, as desigualdades crescentes, os conflitos hegemônicos e os medos que dominam as sociedades e afugentam as esperanças futuras de vida melhor.

Todos sabemos que vivemos numa sociedade marcada por grandes desajustes estruturais, dotada de riquezas variadas, tecnologias de ponta e, ao mesmo tempo, vivemos, na contemporaneidade, o incremento da pobreza, da mendicância e da desigualdade, onde o país mais rico do mundo vive numa situação sui generis, onde quatrocentas pessoas detêm recursos de mais de 150 milhões de norte-americanos, uma situação vergonhosa e preocupante, pouco vista pela comunidade internacional.

Nesta sociedade, percebemos os conflitos militares se espalhando para variadas regiões do globo, impactando sobre os preços relativos, afetando orçamentos familiares, postergando investimentos produtivos e aumentando a riqueza e o poder econômico de poucos em detrimento do aumento da pobreza de muitos. Desta forma, assim caminha a nossa humanidade, estimulando e convivendo, lado a lado, a opulência e a miséria generalizada.

Agora, estamos vivendo um novo conflito militar no Oriente Médio, com impactos generalizados para a economia internacional, elevando os preços, tais como os combustíveis, os fertilizantes, a energia, a aviação, o turismo, os setores de seguros e logísticas, dentre outros, levando os preços a aumentos significativos e gerando impactos econômicos para os cidadãos, impactando a renda da população, reduzindo os rendimentos dos trabalhadores e gerando perspectivas futuras sombrias.

Os países europeus estão passando por momentos de grandes instabilidades, os preços da energia aumentaram rapidamente, sendo sentido imediatamente pelos cidadãos, fragilizando os setores industriais com contas elevadas e passaram a sentir, mais fortemente, a concorrência dos produtos asiáticos, levando organizações tradicionais a adotarem medidas de austeridade, reduzindo margens de lucros, dispensando milhares de trabalhadores e impactando sobre a renda agregada destas nações, gerando confrontos políticos e degradação das condições de vida da população.

Os impactos das instabilidades econômicas globais sobre a sociedade brasileira são variados. Os consumidores sentem na pele o aumento dos preços na economia, queda da renda dos trabalhadores e a instabilidade dos mercados financeiros e, ao mesmo tempo, percebem ganhos substanciais para o setor de petróleo e gás e dos especuladores de mercado, que ganham fortunas com as flutuações dos preços relativos.

Vivemos numa sociedade cada vez mais individualista e imediatista, marcada pelo crescimento da insanidade, onde governantes incompetentes e imediatistas adotam políticas equivocadas e agressivas e não se atentam para as consequências, criando guerras, conflitos militares e destruições generalizadas, devastando famílias inteiras, degradando sentimentos e, com isso, estimulando a disseminação de valores demolidores e aniquiladores.

Neste ambiente, percebemos que as nações se encontram num momento de escolhas perigosas e emergenciais, subsidiar os combustíveis auxilia nos preços internos, mas ao mesmo tempo piora as condições fiscais dos governos e prejudica as contas do Estado Nacional, uma discussão relevante. Mas não podemos nos esquecer, no caso nacional, de que os arautos do liberalismo e os defensores das privatizações devem ser chamados para opinar sobre as consequências das vendas das refinarias, aí vamos encontrar as raízes dos desajustes dos preços dos combustíveis.

Ary Ramos da Silva Júnior

Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.