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ARTIGO

Hollywood está acordando

Quando foi a última vez que você assistiu a uma comédia recente e riu sem esforço?

por Miguel Flauzino
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
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Nos últimos meses, um movimento curioso começou a ganhar força em Hollywood: o possível retorno de comédias clássicas dos anos 2000, como Todo Mundo em Pânico e outras produções que marcaram uma geração. Filmes que não tinham compromisso com grandes mensagens, agendas ou debates sociais. Apenas com o objetivo de entreter e fazer o público rir. E talvez esteja exatamente aí o ponto.

Durante anos, parte da indústria do entretenimento apostou na ideia de que o público queria, acima de tudo, ser provocado, educado ou confrontado por meio das telas. Não há problema algum em obras que tragam reflexão ou crítica. O problema começa quando o entretenimento deixa de ser natural e passa a parecer uma extensão de discursos prontos, previsíveis e, muitas vezes, desconectados da própria narrativa.

O público não rejeita temas. O público rejeita quando o roteiro perde força para dar espaço a mensagens mal encaixadas. E mais, o espectador começa a notar essas mensagens e automaticamente evita determinadas obras, que consequentemente trazem menos bilheteria e visibilidade para a indústria.

As comédias dos anos 2000 funcionavam justamente porque não tinham essa pretensão. Eram exageradas, absurdas, por vezes até politicamente incorretas, mas, acima de tudo, eram honestas com sua proposta. Não tentavam ensinar, apenas divertir.

Hoje, com o avanço das redes sociais e a fragmentação da atenção, o consumidor de conteúdo se tornou mais exigente e mais rápido na rejeição. Quando percebe que está sendo conduzido por uma narrativa artificial, ele simplesmente abandona. E isso tem impacto direto no que mais importa para Hollywood: dinheiro.

A indústria, por mais que possa ter determinado posicionamento, não muda por ideologia. Muda por audiência. Porque, afinal, o grande objetivo é lucrar.

Se há um retorno às fórmulas do passado, isso não é um acaso nem um retrocesso criativo. É uma resposta clara a um público que, depois de anos sendo exposto a conteúdos carregados de intenção, começa a buscar novamente leveza, espontaneidade e conexão. Pode ser um sinal claro de uma possível falta de criatividade? Provavelmente, mas esse é um texto para outra hora.

No fim das contas, a pergunta é simples: quando foi a última vez que você assistiu a uma comédia recente e riu sem esforço?

Talvez Hollywood esteja começando a fazer a mesma pergunta.

Miguel Flauzino

Jornalista e empresário, com atuação em marketing e vendas. Também produz análises sobre cultura pop e comportamento, com olhar crítico sobre tendências atuais.