Gestão pública, sim!
Capacidade institucional não surge por acaso; é fruto de decisão

Quando se fala em inovação, é comum que a atenção se volte para startups, universidades ou empresas de tecnologia. No entanto, existe um elemento igualmente decisivo: a capacidade do poder público de planejar, coordenar e executar políticas capazes de transformar conhecimento em desenvolvimento. Ao longo dos últimos anos, São José do Rio Preto consolidou um modelo singular de governança ao manter a gestão do Parque Tecnológico sob responsabilidade direta da Prefeitura. Mais que uma escolha administrativa, trata-se do reconhecimento de que inovação também é política pública e depende de um governo preparado para liderá-la.
Os ecossistemas de inovação mais bem-sucedidos do mundo são resultado da articulação entre governo, universidades e setor produtivo. Em Rio Preto, o poder público não atua apenas como financiador ou regulador, mas como protagonista da estratégia de desenvolvimento, integrando ciência, tecnologia, empreendedorismo e planejamento. Capacidade institucional não surge por acaso; é fruto de decisão. Enquanto muitos parques tecnológicos brasileiros delegam sua gestão a associações privadas, Rio Preto fortaleceu o papel público como coordenador da inovação.
O Parque Tecnológico tornou-se um verdadeiro laboratório de políticas públicas. Os resultados confirmam essa escolha: em 2025, registrou recorde de empresas ingressantes, consolidou 66 lotes alienados para empresas âncora, alcançou 500 empregos gerados e R$ 81 milhões em faturamento. Ainda, incorporou o hub de inovação da Acirp, o laboratório de empreendedorismo do Senai e mais de mil horas de capacitações do Sebrae. Em 2026, firmou parceria com a UFSCar para instalar o primeiro laboratório de inteligência artificial voltado à educação do país.
Nos parques administrados por associações, a gestão muda de mãos, mas os recursos continuam sendo públicos. Em Rio Preto, a Prefeitura demonstrou que possui capacidade para exercer essa função com eficiência: foi credenciada como entidade gestora pela Secretaria Estadual de Inovação e opera o Parque com custo médio quatro vezes menor que ambientes semelhantes gerenciados por entidades privadas.
As cidades mais inovadoras do mundo não são construídas apenas com tecnologia, mas com instituições fortes. A inovação começa nas pessoas, passa pelas instituições e se concretiza quando o poder público tem capacidade de transformar planejamento em resultados. Em Rio Preto, essa escolha já mostrou que gestão pública também é inovação.
Mauro Alves dos Santos Junior
Secretário de Planejamento Estratégico, Ciência, Tecnologia e Inovação. Presidente do Conselho do Parque Tecnológico.