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ARTIGO

Futebol S.A.

Podemos olhar para qualquer lado ou qualquer instituição. Estamos sós e mal acompanhados

por Laerte Teixeira da Costa
Publicado em 13/07/2026 às 18:17Atualizado em 13/07/2026 às 18:23
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Estima-se que o faturamento da Fifa nesta Copa do Mundo vai se aproximar de 10 bilhões de dólares; a receita a nual do Real Madrid passa de 1 bilhão de euros; em 2025, o Flamengo ultrapassou 2 bilhões de reais em receitas; o Mirassol teve 179 milhões de reais em receitas e um resultado líquido superior a 50 milhões de reais. Dados obtidos na internet, imperfeitos e passíveis de correção.

O futebol não é ciência exata e todos estão sujeitos a erros. Erros administrativos e financeiros, erros em contratações e dispensas, erros em coisas simples e complexas. O erro é da natureza humana e, especialmente, mais presente nas atividades de risco. O futebol envolve riscos, demasiados riscos. Até aí, erros compreensíveis e palatáveis. No Brasil, é um ramo sujeito a chuvas e trovoadas.

Sujeito às intempéries, o futebol carrega os hábitos e a cultura do país. Talvez seja muito forte colocar a corrupção como algo de nossa cultura e de nossos hábitos, mas a soma de recursos envolvida nas operações desse esporte suscita as mais degradantes suposições. E não precisa ir longe, há muitos escândalos noticiados, desde a manipulação de resultados em apostas até polpudas comissões para venda e compra de atletas.

O técnico Carlo Ancelotti Cavalieri é bem pago e tem um dos melhores salários do planeta. Consta que seu contrato atinge aproximadamente 9 milhões de euros por ano. Evidente exagero, mas é o que informam as redes sociais. Ganhando tudo isso, ainda faz publicidade. Ou seja, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) tornou-se uma mina de ouro para o italiano. Claro que ele nem pensa em deixar o emprego e nem em sair do país. Se for dispensado, será capaz de agradecer...

Com seu currículo, o italiano foi capaz de fazer mais de 10 jogos e treinos e não repetir uma única escalação. Foi capaz de levar jogadores contundidos e ser constantemente elogiado pela míope mídia esportiva nacional. Todos nós somos responsáveis porque nos acostumamos a ver, todos os dias, casos e casos malcheirosos, sem qualquer reação. Sérgio Buarque de Holanda, ao descrever o brasileiro como “o homem cordial”, talvez não tivesse a intenção de levar a cordialidade às raias da estupidez.

Esse conjunto de pessoas que comandam o futebol brasileiro vai continuar comandando. Não há nada que impeça isso e nem há o mínimo planejamento para corrigir o que está errado. Vão explicar à exaustão, dizer que foi um aprendizado e que as derrotas fazem parte do esporte. Nós podemos olhar para qualquer lado ou para qualquer instituição. Estamos sós e mal acompanhados.

Laerte Teixeira da Costa

Vice-presidente da UGT e ex-vereador em São José do Rio Preto.