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ARTIGO

EUA: 250 anos de opressão e miséria

Os EUA veem a ordem jurídica internacional como obstáculo à sua hegemonia

por Durval de Noronha Goyos Jr.
Publicado em 03/07/2026 às 19:16Atualizado em 03/07/2026 às 21:17
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Dá-se em 4.7.2026 a efeméride da independência dos EUA, uma triste data histórica. Desde 1776, o país empreendeu ininterrupta trilha de opressão, tirania e miséria, iniciada pelo genocídio de 3,2 milhões das populações nativas. Eram cerca de 2,5 milhões de habitantes de outras origens, dos quais 600 mil escravos negros e 300 mil, servos. Também 1 milhão de mulheres não tinham direitos civis, bem como os devedores, analfabetos e presidiários, reduzindo o número de adultos livres a 400 mil. Uma guerra de conquista dirigida contra as populações indígenas reduziu o seu número para 320 mil.

Em 1853, empreenderam guerra de conquista territorial contra o México, que perdeu 55% de sua área. Hoje, da região contínua dos EUA, 33% foram tomados ao México, inclusive as áreas da Califórnia, Colorado e Texas. Com a Inglaterra, em 1805, e durante um século, traficaram ópio na China, sua principal atividade de comércio exterior e fonte de prosperidade. Diante da reação chinesa, os EUA e parceiros lançaram as Guerras do Ópio (1839 e 1856). Em seguida, invadiram o Japão (1852). Seguiu-se guerra contra a Espanha (1898), para a conquista das Filipinas, Porto Rico e Cuba. Após 1917, o país interferiu na guerra civil russa.

Na América Latina, os EUA intervieram reiteradamente em todos os países, desde o século 19. Ademais, criaram a Escola das Américas no Panamá, no século 20, para formar ditadores e inspiraram a Operação Condor, responsável por milhões de mortos. Um trágico bloqueio econômico contra Cuba persiste há 6 décadas. Em África, os EUA causaram 12 golpes de Estado e assassinatos políticos desde 1945. Foram o principal sustentáculo do regime do apartheid, na África do Sul, e do império colonial português até 1974. Com a 2ª Guerra Mundial já decidida, lançaram 2 bombas atômicas contra populações civis japonesas, com 300 mil mortos.

Pelo menos 56 ações secretas de desestabilização de terceiros países foram realizadas durante a Guerra Fria. Subsequentemente, o número das intervenções aumentou. Apoiaram as ditaduras em Portugal; na Espanha; na Grécia; na Ucrânia, nas Filipinas e Indonésia. Dos 248 conflitos armados no mundo entre 1945 e 2001, cerca de 201 foram iniciados pelos EUA. Na Ásia, foram bombardeadas as populações civis com napalm. No Japão, mulheres foram forçadas ao trabalho sexual escravo, num país ocupado militarmente.

Os EUA veem a ordem jurídica internacional como obstáculo à sua hegemonia. Foi assim na Liga das Nações e, posteriormente, na ONU. A criação de Israel, em 1948, deu ensejo à prática de crimes humanitários diversos, inclusive aquele de genocídio, com a sua cumplicidade. O país domina diversos organismos multilaterais como o Banco Mundial; a OMC; e o FMI, responsáveis por sua prosperidade seletiva. Em 2025, os EUA deixaram a OMS.

No Brasil, as ações desestabilizadoras dos EUA começaram no Império e ganharam corpo na República. Hoje, o Brasil é novamente alvo, tendo em vista as eleições próximas. A longa história de opressão dos EUA nos serve como alerta. Devemos aguardar todos os tipos de pressões, ameaças, corrupção e mesmo do auxílio tresloucado de certos setores da economia e da política brasileira. A luta da nação brasileira será pela soberania nacional, pelo bem-estar do povo, pelos princípios de justiça, pelo Estado de Direito e pela cooperação internacional que traga a prosperidade coletiva.

Durval de Noronha Goyos Jr.

Jurista, escritor polígrafo, professor e historiador.