Escola rural e a atual
Naquele tempo, o aluno tinha vontade de aprender e respeito pelo professor

A antiga escola rural, na década de 1930, alfabetizava, formava e preparava os alunos para a leitura, os cálculos e o desenvolvimento intelectual.
Essas escolas não dispunham de carteiras, cadeiras adequadas ou lousas. A iluminação era feita à base de lamparinas, cuja fumaça exalava forte odor. Havia pouco papel, e cada aluno contava apenas com um lápis e uma borracha.
Mesmo diante dessas dificuldades, alunos e o professor tinham vontade de aprender e de ensinar. As aulas eram ministradas à noite.
Os professores não recebiam pagamento do governo. Tudo era movido pelo interesse dos alunos e pelos pais.
Naquela época, meus avós eram proprietários de uma pequena fazenda no interior do Estado de São Paulo. Contrataram um professor para alfabetizar seus filhos, exatamente nas condições acima relatadas.
O professor morava na casa de meus avós. Como pagamento por suas aulas, recebia moradia e alimentação, além do direito de cultivar, sem custos, uma pequena área de terra. Trabalhava na roça durante o dia e ministrava aulas à noite.
No período de um a dois anos, alfabetizou aqueles alunos, entre os quais estava minha querida mãe. Ela sempre nos contava essa história com orgulho, por ter recebido uma excelente alfabetização. E, de fato, destacava-se pela boa educação, pela escrita correta, pelos conhecimentos matemáticos e pela sabedoria.
Hoje, a escola urbana dispõe de inúmeros recursos: prédios com infraestrutura, professores especializados, alimentação, material escolar, uniformes, tênis e ar-condicionado. Ainda assim, tem deixado a desejar na qualidade da educação.
Aquele professor rural possuía autoridade e autonomia em sala de aula e contava com o respeito da comunidade. Atualmente, vemos notícias de professores que sofrem agressões físicas praticadas por alunos e até por pais.
Naquele tempo, o aluno tinha vontade de aprender e respeito pelo professor. Para tentar melhorar a frequência escolar, o governo federal passou a destinar recursos para conceder benefícios financeiros aos estudantes que frequentam as aulas e um incentivo adicional aos que concluem o curso.
Os professores, com razão, frequentemente reclamam da baixa remuneração que recebem. Enquanto isso, buscando melhorar a relação entre escola, aluno e ensino, o governo federal paga incentivos financeiros aos estudantes para registrarem presença nas aulas.
Entendo que seria mais proveitoso destinar esses recursos à valorização dos professores, sendo desnecessário justificar aqui os motivos.
Transferir aos professores os recursos destinados aos incentivos financeiros dos alunos talvez rendesse menos votos.
Fica, então, uma reflexão: quais alunos obtiveram melhores resultados, os do antigo ensino rural ou os da escola atual?
Luiz Carlos Salviano
Auditor Fiscal aposentado da Receita Estadual