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ARTIGO

Entre planetas e proteínas anãs

Na ciência, sempre há momentos de reflexão em que se questiona se devemos rever algum conceito

por Fábio Rogério de Moraes
Publicado em 24/06/2026 às 17:23Atualizado em 24/06/2026 às 17:28
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Há 20 anos, um planeta marcou nossa história e reescreveu os livros didáticos trabalhados na escola. Plutão não era mais um planeta. Sim, ele orbita o Sol e sim, ele é arredondado, mas sua influência gravitacional não é tão importante em sua região, composta por muitos outros objetos que, se Plutão fosse mantido como planeta, também deveriam receber essa classificação. Assim, Plutão foi rebaixado à categoria de planeta anão. O que poderia ser visto como uma desonra, na verdade, o colocou em evidência.

É mais difícil do que parece encontrar alguém que saiba o nome dos oito planetas do Sistema Solar e, mais difícil ainda, que saiba sua ordem de proximidade em relação à nossa estrela, o Sol. Para registrar, a sequência é: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

Na história da ciência, sempre há momentos de reflexão em que se questiona se devemos rever algum conceito ou alguma forma de classificação. Agora, estamos passando por mais um desses momentos no mundo da biologia. As proteínas sempre estiveram entre os principais focos de estudo, em uma área interdisciplinar que reúne biólogos, físicos e químicos em um esforço conjunto para compreender melhor essas moléculas e sua importância para a saúde.

Proteínas são cadeias de aminoácidos codificadas pelo DNA presente nas células dos organismos. Elas desempenham inúmeras funções e regulam grande parte das reações químicas do metabolismo. Apesar disso, apenas cerca de 2% do nosso DNA é codificante, ou seja, produz proteínas. Há não muito tempo, o restante era chamado de “DNA lixo”, já que supostamente “não produzia nada”. Com o avanço dos estudos, porém, muitas funções foram descobertas para essas regiões, como o controle da expressão gênica, a presença de íntrons removidos antes da síntese proteica e a organização do próprio DNA dentro da célula por meio da interação com histonas.

Mais recentemente, uma nova classe de moléculas vem ganhando destaque: as peptideínas. Trata-se de proteínas pequenas, com menos de 50 aminoácidos, que até então eram consideradas apenas um subproduto da maquinaria celular. No entanto, pesquisas recentes indicam que esses pequenos atores desempenham papéis relevantes na saúde humana.

Assim como aconteceu com Plutão, uma mudança na terminologia, seja do que é considerado um planeta ou seja do que é considerado uma proteína, chama a atenção da comunidade científica, atraindo mais interesse, mais pesquisadores e mais recursos para ampliar nosso entendimento sobre o funcionamento do universo e da natureza à nossa volta.

Seja para contemplar o cosmos ou para compreender a complexidade de uma célula, o avanço científico traz inúmeras oportunidades fascinantes de pesquisa.

Fábio Rogério de Moraes

Físico, Auxiliar de Pesquisa, IBILCE - UNESP.