Ensino público é patrimônio
Nossas funções básicas como universidade são a formação de pessoas e a construção de conhecimento científico

Neste ano, a UNESP - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” - completou 50 anos, e o IBILCE - Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas -, campus da UNESP em São José do Rio Preto, completou 69 anos. Essa diferença de idades se dá porque a UNESP foi constituída a partir de faculdades e institutos que já existiam no interior de São Paulo. A constituição da UNESP foi uma estratégia de interiorização do ensino superior no estado.
A UNESP tem hoje 34 unidades distribuídas em 24 cidades. No IBILCE somos nove cursos de graduação: física, química, ciências biológicas, matemática, letras, tradução, ciência da computação, engenharia de alimentos e pedagogia além de 12 programas de pós-graduação que formam mestres e doutores também nas três grandes áreas do conhecimento.
Nossas funções básicas como universidade são a formação de pessoas e a construção de conhecimento científico, lembrando que, no Brasil, a pesquisa científica desenvolve-se prioritariamente nas universidades públicas.
A universidade, entretanto e obviamente, não é uma ilha isolada da sociedade. Os problemas da nossa sociedade, que são o foco para o desenvolvimento de pesquisas e a orientação do ensino na universidade, também nos atravessam como instituição. Por exemplo, nessas últimas semanas, tivemos denúncias e divulgação de casos de violência contra mulheres. Da mesma forma que essas denúncias têm aumentado na nossa sociedade em geral, infelizmente, têm aumentado também dentro da universidade. Da mesma forma que esses casos sempre aconteceram na nossa sociedade, infelizmente, eles também acontecem na universidade. Da mesma forma que temos tido um avanço em termos de leis - como a Lei Maria da Penha -, que são fundamentais para o combate, punição e prevenção da violência, temos tido também dentro da universidade um avanço no sentido da instituição de programas, instâncias e aperfeiçoamento de processos com o objetivo específico de prevenir e atuar a partir das denúncias de violência. Da mesma forma que em termos gerais da sociedade, precisamos continuar caminhando e ampliando as ações para que a violência contra a mulher, nas suas mais variadas formas e graus, seja principalmente prevenida, mas também punida, precisamos também na universidade continuamente ampliar nossa atuação preventiva, punitiva e, principalmente, formativa para que essa chaga social da violência seja extinta.
Somos todos nós, como sociedade, que temos que buscar as soluções para os problemas que temos. Nesse sentido, é preciso nos envolvermos na defesa incondicional de um ensino - desde o básico até o superior - e de uma escola - desde a básica até a universidade-, com projetos que envolvam a aprendizagem técnica e do trabalho sem esquecer o desenvolvimento humano e coletivo, de forma democrática e para todos. Uma defesa que não pode ignorar os problemas que precisam ser combatidos, mas que compreende que o ensino, em especial o ensino público e de qualidade, é um patrimônio essencial a ser mantido e constantemente cuidado e aperfeiçoado.
Monica Abrantes Galindo
É vice-diretora da UNESP de Rio Preto, professora, participante dos coletivos
Mulheres na Política e CDINN -Coletivo