Uma polícia mais diversa
Avanço da presença feminina na liderança das forças de segurança fortalece as instituições, inspira novas gerações e melhora o serviço prestado à população

A ampliação da presença feminina em cargos de liderança na segurança pública representa uma conquista que vai muito além das estatísticas, como mostra reportagem publicada no domingo pelo Diário. Simboliza a evolução de instituições historicamente marcadas pela predominância masculina e demonstra que competência, preparo e capacidade de comando não têm gênero. O crescimento registrado na região de Rio Preto, onde o número de oficiais em funções de liderança na Polícia Militar triplicou em apenas três anos, confirma uma transformação consistente e necessária.
O avanço é resultado de décadas de mudanças culturais, de investimentos na formação profissional e da abertura de oportunidades para mulheres que sempre demonstraram plena capacidade para exercer as mais diversas funções dentro da corporação. A ascensão ao comando é consequência do mérito, da experiência e da qualificação.
Também merece destaque o efeito multiplicador dessa presença feminina. Quando uma menina vê uma mulher comandando uma companhia, uma equipe da Força Tática ou uma operação policial, amplia-se seu horizonte de possibilidades. Os depoimentos das policiais revelam exatamente isso: muitas ingressaram inspiradas por familiares ou por outras mulheres que abriram caminho antes delas. Agora, tornam-se elas próprias referências para novas gerações.
Não se trata apenas de representatividade. A diversidade melhora o serviço prestado à população. Diferentes experiências, formas de liderança e perspectivas enriquecem o ambiente profissional, favorecem decisões mais equilibradas e fortalecem o relacionamento entre polícia e sociedade. Em ocorrências delicadas, essa presença pode proporcionar acolhimento e confiança fundamentais para as vítimas.
A evolução observada na PM também encontra paralelo na Guarda Civil. Isso demonstra que a segurança pública caminha para refletir melhor a composição da própria sociedade, sem abrir mão da disciplina, da hierarquia e da excelência técnica exigidas pela profissão.
Ainda existem desafios. A participação feminina permanece inferior à masculina e há relatos de obstáculos, especialmente no aspecto psicológico. Mas a trajetória até aqui mostra que barreiras estão sendo superadas. Que não se perca de vista os processos de aperfeiçoamento contínuo.