EDITORIAL

Uma CPI necessária

O esperado seria a formação da CPI com o apoio de 22 dos 23 parlamentares. Seria o movimento natural, mas estamos falando de uma legislatura que costuma surpreender - e não positivamente

por Da Redação
Publicado há 3 horas
Editorial (Divulgação)
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Desde que assumiu em 1º de janeiro de 2025, a atual legislatura na Câmara de Rio Preto não parece muito interessada em colocar o interesse público em primeiro lugar - vide toda a barafunda envolvendo, por exemplo, a questão do IPTU. Mas eis que surgiu mais uma oportunidade para os vereadores fazerem jus aos seus contracheques e mostrarem que, sim, estão realmente preocupados em fiscalizar e dar respostas à população rio-pretense.

Foi protocolado na terça-feira, 14, requerimento que cria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a obscura exploração da Cidade da Criança, um espaço público, como estacionamento no show da banda Guns N' Roses, ocorrido no Recinto de Exposições no dia 7.

Como esse Diário revelou, há vários elementos suspeitos, que vão desde a liberação do local autorizada pelo agora ex-secretário de Esportes e atual vereador Kleber Kizumba, passando por pagamentos via Pix ao então secretário de Finanças do Legislativo, José Luís Pereira, e pelo estranhíssimo benefício concedido a uma entidade sediada no município de Guaraci.

Em que pese a demissão de Kizumba, alvo de representação no Conselho de Ética, e de Pereira, a verdade é que esse caso, até o momento, tem mais perguntas que respostas. A exoneração de ambos, por si só, não encerra o episódio, ao contrário: mostra que tanto o governo municipal quanto a presidência da Câmara viram algum desvio na atuação de ambos - e isso, claro, merece ser investigado.

O fato de a nebulosa exploração do estacionamento em uma área pública ser alvo do Ministério Público não impede a atuação da Câmara por meio de uma CPI. Afinal, o escândalo envolve ao menos um ex-funcionário do Legislativo e um vereador.

O esperado, portanto, seria a formação da comissão com o apoio imediato de 22 dos 23 parlamentares. Seria o movimento natural, mas estamos falando de uma legislatura que costuma surpreender - e não positivamente.

Por enquanto, apenas quatro vereadores subscreveram a CPI do Estacionamento, e são necessários ao menos oito apoios para que ela saia do papel. E não há garantia alguma de que será instalada.

É preciso lembrar que essa não é a única suspeita que paira sobre a atual legislatura. Ainda segue sem resposta, por exemplo, o assassinato de Pablo Lourenço Barbarelli Frazato, então chefe de Gabinete do vereador Irineu Tadeu (União Brasil), ocorrido no ano passado. Não se sabe se a execução dele teve motivação política ou não.

Até por isso, seria importante a instalação da CPI para dissipar dúvidas de que há corporativismo, rabo preso ou coisa pior relacionadas à exploração do estacionamento. É mais uma oportunidade de a Câmara mostrar que o interesse público deve ser o guia moral e ético de um vereador. É aguardar para ver.