EDITORIAL

Um caminhão de absurdos

Motorista que dirigia caminhão da Prefeitura com os pés foi desligado, mas episódio expõe fragilidades que precisam ser revistas na seleção e fiscalização

por Da Redação
Publicado em 27/08/2026 às 00:06
Editorial (Divulgação)
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O episódio envolvendo um motorista terceirizado da Prefeitura de Rio Preto ultrapassa, e muito, os limites de uma simples infração de trânsito. As imagens mostram um caminhão do município sendo conduzido de maneira irresponsável, com o motorista usando os pés para dirigir e colocando em risco não apenas a própria vida, mas a de todos que circulavam pelas vias públicas, motoristas, motociclistas, ciclistas ou pedestres.

A responsabilidade primordial é, evidentemente, de quem assumiu o volante e decidiu agir daquela maneira, e a primeira resposta foi a demissão, certamente a ser seguida pelos rigores da lei dentro de múltiplas tipificações de crimes que ele cometeu. A conduta revela um desprezo elementar pelas regras de trânsito e pela segurança coletiva.

O caso, porém, precisa provocar uma reflexão que vá além da punição imediata. Afinal, trata-se de um trabalhador que conduzia um veículo público, a serviço da administração municipal, pelas ruas de uma cidade de mais de 500 mil habitantes. A demissão imediata foi o mínimo a se esperar. Não é razoável que a gestão pública se limite a reagir só depois que um comportamento irresponsável viraliza nas redes sociais.

É preciso discutir até que ponto os processos de seleção, contratação e fiscalização de funcionários terceirizados são realmente eficientes. A terceirização não pode significar transferência de responsabilidade. Cabe à empresa contratada selecionar profissionais aptos para as funções que desempenharão e cabe à Prefeitura fiscalizar se os serviços estão sendo prestados dentro dos padrões exigidos.

O episódio está muito longe de ser uma banalidade eventual, e só por sorte não virou tragédia. Ao dirigir um caminhão daquela forma, o motorista demonstrou uma postura absolutamente incompatível com qualquer grau de civilidade. E o fato de outro trabalhador assistir, filmar e transformar a situação em diversão e deboche acende, inclusive, um sinal de alerta sobre a cultura de segurança existente naquele ambiente.

A Prefeitura cumpriu a mera obrigação ao desligar os autores da traquinagem. Agora, a questão é saber se haverá providências também para impedir que algo semelhante volte a acontecer. Segurança no trânsito não combina com improviso, brincadeira ou negligência. E a administração pública tem o dever de garantir que quem trabalha em seu nome, e a serviço da população, compreenda isso desde o primeiro dia.