EDITORIAL

Saúde pública recadastrada

O sistema registra mais de 1,4 milhão de cadastros, para uma população estimada em 504 mil habitantes. Há algo de muito errado, e não é de hoje

por Da Redação
Publicado há 6 horas
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O recadastramento dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) municipal iniciado pela Prefeitura de Rio Preto é uma medida, ainda que tardia, necessária para atualizar dados, melhorar o planejamento dos serviços e garantir o envio correto das informações ao Ministério da Saúde. Atualmente, o sistema registra mais de 1,4 milhão de cadastros, número muito superior à população estimada do município, de cerca de 504 mil habitantes, segundo o IBGE. Esse descompasso mostra a importância de revisar e qualificar o banco de dados para que ele reflita com mais precisão a realidade da rede de atendimento.

A Secretaria de Saúde contabiliza, por enquanto, pouco mais de 41 mil cadastros novos e quase 110 mil usuários notificados sobre a necessidade de apresentar documentos que comprovem residência em Rio Preto. O processo ocorre nas recepções das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde os pacientes apresentam documento de identificação e comprovante de residência para a atualização cadastral.

A medida busca permitir que o município conheça melhor o perfil e a distribuição da população que utiliza os serviços públicos de saúde. Espera-se que, a partir de dados atualizados, seja possível eliminar falhas, planejar ações com mais eficiência, organizar equipes, direcionar investimentos e garantir o repasse correto de recursos federais. Informações confiáveis também ajudam a melhorar o contato com os usuários, agilizar agendamentos e ampliar o acesso aos serviços da rede pública.

No entanto, manter o cadastro atualizado é apenas parte do desafio. Também é necessário que o sistema esteja plenamente informatizado e estruturado dentro dos parâmetros da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo segurança, transparência e respeito às informações pessoais dos cidadãos. No fim das contas, o objetivo deve ser melhorar o atendimento à população.

Um sistema organizado precisa resultar em menos burocracia, menos deslocamentos desnecessários entre unidades de saúde e mais agilidade para quem aguarda consultas, exames ou cirurgias. O sucesso do recadastramento será medido não apenas pelo número de formulários preenchidos, mas pela capacidade de transformar esses dados em um sistema de saúde mais eficiente, humano e acessível para a população, que não pode aceitar menos do que a excelência.