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EDITORIAL

Saúde desperdiçada

Quem utiliza o SUS precisa compreender que está compartilhando um serviço público com milhares de outras pessoas

por Da Redação
Publicado em 11/07/2026 às 00:12
Editorial (Divulgação)
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É senso comum, e faz parte do direito do cidadão, levantar a voz quando o município falha em se tratando da saúde pública, seja pelas longas filas, atendimento precário e falta de profissionais. Mas os números divulgados pela Secretaria de Saúde de Rio Preto, e publicados pelo Diário no último dia 12, merecem uma reflexão coletiva.

Em apenas seis meses, mais de 213 mil consultas agendadas deixaram de acontecer porque o paciente simplesmente não compareceu. O índice de abstenção de 27,4% significa que, de cada dez consultas marcadas, três são desperdiçadas.

É verdade que nem toda falta decorre de irresponsabilidade. Há quem adoeça, enfrente dificuldades de transporte, problemas familiares ou imprevistos de última hora. Essas situações fazem parte da realidade e devem ser compreendidas. O que não pode ser tratado como normal é o hábito de faltar sem qualquer aviso, impedindo que a vaga seja destinada a outra pessoa que aguarda, muitas vezes há meses, por atendimento.

Quando alguém deixa de comparecer a uma consulta e não faz o cancelamento antecipado, o prejuízo é coletivo. A cadeira vazia representa tempo de um profissional desperdiçado, recursos públicos mal utilizados e uma oportunidade perdida para outro paciente que permanece na fila. Em um sistema que convive diariamente com alta demanda e orçamento limitado, esse comportamento é danoso à sociedade.

Não se trata apenas de educação ou gentileza, mas de cidadania. Quem utiliza o SUS precisa compreender que está compartilhando um serviço público com milhares de outras pessoas. Cada consulta perdida pode significar o adiamento do diagnóstico de uma doença, o atraso no início de um tratamento ou a permanência desnecessária de alguém em sofrimento.

A Prefeitura tem adotado medidas importantes, como confirmações por telefone, SMS e WhatsApp, campanhas de conscientização, busca ativa de faltosos e ampliação dos horários de atendimento em algumas unidades. São iniciativas positivas, mas ainda insuficientes.

É possível avançar mais. Um sistema automatizado que permita ao paciente cancelar a consulta com apenas um clique no WhatsApp ou por aplicativo tornaria esse procedimento mais simples e acessível. A criação de uma lista de espera dinâmica, capaz de convocar rapidamente outro paciente quando houver desistência, evitaria que horários permanecessem ociosos. Também seria útil ampliar o uso de mensagens enviadas 24 e 48 horas antes da consulta, exigindo confirmação da presença.

Vale investir em campanhas permanentes de conscientização. Muitas pessoas talvez nem percebam o impacto de sua ausência. Mostrar, de forma transparente, quantas consultas deixam de ser realizadas, quanto isso representa em recursos públicos e quantos pacientes poderiam ser beneficiados ajuda a transformar estatísticas em responsabilidade compartilhada.

A eficiência da saúde pública não depende apenas de mais médicos, mais unidades ou mais investimentos. Depende também do compromisso de cada cidadão com o bem comum. Afinal, a vaga desperdiçada por um hoje pode ser a consulta de que ele próprio precisará amanhã.