Comece hoje pagando a partir de R$5/mês no plano mensal
EDITORIAL

Risco iminente

É imprescindível, agora, deixar de lado toda e qualquer politicagem e agir tecnicamente em relação à captação de água do rio Grande

por Da Redação
Publicado há 1 hora
Editorial (Divulgação)
Galeria
Editorial (Divulgação)
Ouvir matéria

Audiência pública realizada na semana passada na Câmara de Rio Preto deixou claro que é preciso, urgentemente, deixar de lado qualquer politicagem para começar a debater tecnicamente a captação de água no rio Grande.

Durante a reunião, o assessor-chefe de gabinete, Estevan Pietro, e a engenheira Jaqueline Freitas, ambos do Semae, foram enfáticos neste sentido. “Precisamos da obra. Estamos falando de buscar possibilidades”, afirmou Pietro. “Não consigo garantir água na casa de todo mundo daqui a dez anos”, complementou Jaqueline, que é funcionária de carreira da autarquia.

O debate sobre a captação de água no rio Grande não é de hoje; teve início em 2014, quando o então prefeito Valdomiro Lopes contratou um estudo técnico sobre a obra. No último ano do seu mandato, em 2024, Edinho Araújo contratou um empréstimo de R$ 649 milhões junto à Caixa Econômica Federal para fazer a captação, orçada em aproximadamente R$ 1 bilhão (o restante seria bancado pelo Semae) .

Sob a alegação de que o financiamento iria endividar o município e de que haveria aumentos escalonados anuais no valor da tarifa de água e esgoto, o Coronel Fábio Candido (PL) decidiu desfazer o contrato com a Caixa. Na verdade, o atual prefeito fez uma troca: desistiu dos R$ 649 milhões para a captação e solicitou outros R$ 650 milhões para a mesma Caixa, mas com o objetivo de quitar dívidas do município e de realizar obras de infraestrutura.

Recentemente, o Estado de São Paulo entrou na jogada com o programa UniversalizaSP, que tem o mesmo objetivo de captar água no rio Grande - o Semae, porém, resolveu não aderir.

Entre idas e vindas, uma coisa é certa: quem realmente entende de abastecimento, no caso funcionários da autarquia, ressalta a necessidade de realizar a obra. E isso é fato consumado.

O estudo já está pronto. É imprescindível, agora, deixar de lado a politicagem - afinal, esse assunto foi maculado na disputa eleitoral de 2024, em meio a discursos eleitoreiros - e agir tecnicamente. O Coronel tomou a decisão de não contrair o empréstimo, e a opção é legítima, mas é preciso buscar alternativas urgentes. Uma delas seria uma Parceria Público-Privada (PPP), por exemplo, ou mesmo a utilização de recursos do próprio Semae.

Segundo técnicos da autarquia, essa é uma obra gigantesca, que duraria entre oito e dez anos para ser concluída. Então não é razoável empurrar para outros governos, sob o risco de a cidade, que cresce em ritmo acelerado, entrar em colapso de abastecimento em poucos anos.

É preciso coragem para enfrentar um tema desses, que olha para o futuro e não traz frutos políticos e eleitorais imediatos. O assunto está em pauta há mais de dez anos e o alerta foi dado. Ignorá-lo é colocar em risco as próximas gerações.