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EDITORIAL

Região vulnerável

É preciso investigar por que a nossa região apresenta indicadores proporcionais tão superiores aos do restante do Estado em se tratando de doenças respiratórias

por Da Redação
Publicado em 18/07/2026 às 00:03
Editorial (Divulgação)
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Estatísticas não mentem: a região de Rio Preto liderou proporcionalmente, entre 1º de janeiro e 14 de julho deste ano, o péssimo ranking estadual de casos, internações e mortes decorrentes de doenças respiratórias.

Somente neste período foram registradas 3.054 contaminações e 767 internações em unidades de terapia intensiva (UTI). Em termos de incidência da doença, o Noroeste paulista tem uma liderança assustadoramente folgada, 185,17 a cada 100 mil habitantes, bem à frente da segunda colocada, Campinas, com 104,49.

Porém, o que mais preocupa são os 170 óbitos registrados em 2026 na região de Rio Preto. Com isso, a taxa de mortalidade é de 10,31 por 100 mil habitantes. Na sequência, aparecem as regiões de Bauru (8,87), Taubaté (5,63) e Campinas (4,8).

Os principais agentes dos quadros graves de doenças respiratórias são o vírus influenza (causador da gripe), o vírus sincicial respiratório (VSR), o SARS-CoV-2 (responsável pela covid-19), além de rinovírus e adenovírus.

Diante de um quadro tão grave, a resposta imediata é conhecida e amplamente respaldada pela ciência. A vacinação contra influenza e covid-19 continua sendo a principal ferramenta para reduzir internações e mortes, sobretudo entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades. Medidas simples, como higienizar frequentemente as mãos, manter ambientes ventilados, cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar e evitar contato com outras pessoas quando houver sintomas gripais, também ajudam a conter a disseminação dos vírus.

Mas a gravidade dos números da região de Rio Preto exige que o poder público vá além das recomendações de praxe. É preciso investigar por que justamente o Noroeste paulista apresenta indicadores proporcionais tão superiores aos do restante do Estado. Há fatores demográficos, climáticos ou estruturais que expliquem essa diferença? A cobertura vacinal está aquém do necessário? Existem dificuldades de acesso aos imunizantes ou falhas na adesão da população às campanhas? Sem respostas consistentes para essas perguntas, o risco é tratar apenas os efeitos, sem enfrentar as causas.

É papel da Secretaria de Estado da Saúde aprofundar essa análise epidemiológica, identificar os fatores específicos que tornam o Noroeste paulista tão vulnerável e, a partir desse diagnóstico, adotar estratégias mais eficazes. Afinal, quando uma região destoa de forma tão expressiva das demais, a pior resposta possível é tratar a exceção como se fosse regra.