Ranking que envergonha
A existência da chamada "guerra de gangues" é insuficiente para justificar a liderança de Rio Preto no infame ranking estadual de homicídios

É inconcebível que Rio Preto figure, pelo terceiro ano consecutivo, no topo do ranking de homicídios entre os municípios paulistas com mais de 400 mil habitantes. Mesmo diante de um discreto recuo nos números entre 2024 e 2025, a cidade mantém um patamar alarmante de violência que não pode ser relativizado.
Reportagem publicada pelo Diário no último domingo, 8, revela que, em 2025, Rio Preto registrou uma taxa de 8,36 homicídios por 100 mil habitantes - quase o dobro da Capital paulista, que marcou 4,4. Não se trata apenas de um desempenho negativo, mas de uma constante que se repete nos últimos anos, colocando o município à frente de cidades como Campinas, Sorocaba, Guarulhos, Santo André, Osasco e Ribeirão Preto.
O fato de Rio Preto ser a única das 16 cidades paulistas com mais de 400 mil habitantes a ultrapassar o índice de 8 homicídios por 100 mil habitantes em 2025 deve soar como um alerta máximo. Um pequeno recuo estatístico não apaga uma trajetória de agravamento contínuo nem diminui o peso de vidas perdidas de forma violenta.
Segundo a Polícia Civil, disputas territoriais ligadas ao tráfico de drogas – a chamada "guerra de gangues" – são fator central para a escalada da violência. Mas esse argumento é insuficiente para justificar a liderança de Rio Preto, até porque outros municípios de médio e grande portes sofrem com essa chaga. O tráfico de drogas e suas atrozes consequências para a sociedade não são exclusivos da maior cidade do Noroeste paulista.
A segurança pública é, constitucionalmente, um dever do Estado, e cabe ao governo estadual responder pelas falhas evidentes de sua política. No entanto, embora não seja o responsável direto pela segurança pública, o município pode e deve atuar de forma incisiva por meio do fortalecimento da Guarda Civil Municipal, da integração com as forças estaduais, do investimento em prevenção e de políticas sociais capazes de reduzir a vulnerabilidade nos territórios mais afetados.
Ignorar esse cenário, ou tratá-lo como um efeito colateral inevitável do crescimento urbano, é compactuar com a banalização da violência. Rio Preto não pode aceitar como "normal" liderar um ranking dessa natureza. A cidade precisa reagir, cobrar do Estado respostas concretas e assumir, dentro de suas atribuições, um papel mais ativo na construção de um ambiente mais seguro. Cada número dessa estatística representa uma vida interrompida - e isso, por si só, já deveria ser razão suficiente para indignação e ação imediata.