EDITORIAL

Presente antecipado

A chegada da UFSCar deve ser celebrada como uma conquista coletiva. Ela pertence à cidade, à região e à sociedade que ajudou a viabilizá-la

por Da Redação
Publicado há 4 horas
Editorial (Divulgação)
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Os 174 anos de Rio Preto serão comemorados apenas em 19 de março, mas o presente veio antecipado: nesta semana, teve início o ano letivo das três primeiras turmas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), instalada provisoriamente no prédio do Instituto Federal. Ao todo, os 90 estudantes contarão com uma programação especial de duas semanas incluindo palestras e orientação pedagógica. A UFSCar se une a faculdades e universidades, públicas e privadas, já instaladas na cidade no fortalecimento de Rio Preto e região como polo de excelência em ensino superior.

Mais do que a chegada de uma nova instituição de ensino, o início das atividades da universidade federal representa um marco histórico para todo o Noroeste paulista. A presença de uma universidade federal não deve ser creditada a este ou àquele político, muito menos apropriada como troféu partidário. Ela é, antes de tudo, resultado da força econômica, social e educacional de Rio Preto, cidade que há décadas se consolida como polo regional e que, justamente por isso, passou a exigir uma estrutura de ensino superior público à altura de sua relevância.

A própria definição dos cursos ilustra esse processo coletivo. A escolha das graduações não foi feita de forma arbitrária ou isolada, mas a partir de um amplo processo de escuta envolvendo entidades empresariais, organizações sociais e representantes da sociedade civil. O resultado foi um desenho acadêmico que busca preencher lacunas existentes no sistema educacional da região, complementando - e não competindo - com a oferta já existente.

É justamente nesse ponto que a presença da universidade federal ganha dimensão estratégica. Ao oferecer cursos como Inteligência Artificial e Ciência de Dados, Engenharia de Manufatura e Design, Arquitetura e Urbanismo, Serviço Social, Artes Cênicas e Produção Cultural, a UFSCar amplia o horizonte de formação acadêmica e fortalece um ecossistema que já inclui instituições de peso. O resultado é um ambiente ainda mais propício à pesquisa, à inovação e à formação de profissionais qualificados, com impacto direto na economia regional.

Mas talvez o aspecto mais importante seja outro: a universidade federal é, por natureza, um projeto de longo prazo. Seus resultados não se medem em meses nem em mandatos, mas em décadas. Os estudantes que agora iniciam suas aulas fazem parte da primeira geração que ajudará a construir a história da instituição na cidade. No futuro, serão professores, pesquisadores, gestores, empreendedores e profissionais que carregarão consigo a marca de uma universidade pública instalada em Rio Preto.

Por isso, a chegada da UFSCar deve ser celebrada como uma conquista coletiva. Ela pertence à cidade, à região e à sociedade que ajudou a viabilizá-la. Mais do que um presente antecipado de aniversário, a universidade representa um investimento no futuro - e poucos investimentos são tão transformadores quanto aqueles feitos em educação.