EDITORIAL

O FIT é de Rio Preto

O retorno do Sesc como financiador e correalizador recupera o prestígio histórico que fez do FIT de Rio Preto uma referência nacional e internacional nas artes cênicas

por Da Redação
Publicado há 11 horas
Editorial (Divulgação)
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Como o Diário já havia adiantado, o retorno do Sesc ao tradicionalíssimo Festival Internacional de Teatro (FIT) acabou confirmado oficialmente na última sexta-feira, 13, pela Prefeitura de Rio Preto. Trata-se da reedição de uma parceria que, mais do que trazer recursos extras a esse que é um dos maiores eventos do País, garante uma programação de qualidade e expande o acesso à cultura pelos quatro cantos da cidade.

Em 2025, o Sesc ficou de fora do FIT por questões nebulosas. À época, a entidade argumentou que foi procurada pela Prefeitura em cima da hora – o festival ocorre sempre em julho –, e que não haveria tempo hábil para formatar o evento. Já o governo do Coronel Fábio Candido (PL) alegou suposta interferência política, nunca provada, para que o Sesc não abraçasse o FIT. No fim das contas, o Sesi entrou como parceiro, fez o que pôde, mas a verdade é que o evento, com recurso limitado e pensado às pressas, ficou muito aquém de outras edições.

Mas águas passadas não movem moinhos, e o que interessa, agora, é que o retorno do Sesc como financiador e correalizador vai garantir uma injeção extra de recursos – R$ 3 milhões ao todo – e recuperar o prestígio histórico que fez do FIT de Rio Preto uma referência nacional e internacional nas artes cênicas.

Afinal, mais do que um calendário de apresentações, o festival representa um ponto de encontro entre artistas, companhias, produtores e público. Ao longo de mais de duas décadas com caráter internacional, o FIT transformou Rio Preto em um polo cultural capaz de atrair olhares de todo o País e também do exterior. É um ativo simbólico e econômico importante para a cidade, que movimenta a rede hoteleira, bares, restaurantes e, sobretudo, forma plateia para o teatro. E a presença do Sesc nessa engrenagem é decisiva.

A cultura não pode ser refém de querelas políticas. Eventos da dimensão do FIT exigem planejamento, cooperação institucional e, acima de tudo, disposição para colocar o interesse coletivo acima das diferenças circunstanciais.

Rio Preto já demonstrou, ao longo de décadas, que sabe produzir um dos festivais mais relevantes do teatro brasileiro. Para isso, é preciso reconhecer que erros aconteceram, aprender com eles e seguir em frente. Se a parceria entre Prefeitura e Sesc foi restabelecida, se há recursos garantidos e se a organização já começou a trabalhar com antecedência, o caminho está aberto para que o festival recupere o brilho que o tornou referência. Divergências pontuais podem até existir, e são naturais em qualquer processo público, mas não podem se sobrepor ao que realmente importa.

O FIT pertence a Rio Preto. E quando diferentes atores conseguem superar ruídos e trabalhar juntos, quem ganha é a cidade, seu público e sua vida cultural. Superar problemas pontuais, portanto, não é apenas desejável, mas essencial para fazer o melhor por Rio Preto.