EDITORIAL

Marcas da insegurança

Em pouco tempo, avanço da criminalidade destrói exemplo de zelo comunitário, enfraquece o senso de pertencimento e desestimula novas iniciativas

por Da Redação
Publicado há 10 horas
Editorial (Divulgação)
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A inacreditável sequência de furtos e atos de vandalismo às margens do Córrego Piedadinha, em Rio Preto, mostrada em reportagem publicada pelo Diário da Região na edição de terça-feira, revela mais do que um problema pontual de insegurança: expõe o risco permanente da perda de espaços conquistados pela própria comunidade. Em poucos dias, a destruição de postes recém-instalados e a deterioração generalizada do patrimônio público comprometem um projeto que nasceu da união entre moradores e poder público para revitalizar a área e transformá-la em local de convivência e preservação ambiental.

Esse tipo de iniciativa coletiva merece ser valorizado e protegido. Não se trata apenas de infraestrutura, mas de cidadania ativa. Quando moradores se mobilizam para cuidar de um espaço, estão investindo tempo, esforço e esperança em uma melhora real da qualidade de vida. Permitir que ações criminosas desfaçam esse trabalho enfraquece o senso de pertencimento e desestimula novas iniciativas.

A repetição dos furtos, somada à sensação de impunidade, cria um ambiente propício para a continuidade dos crimes. A falta de respostas eficazes reforça a ideia de abandono, enquanto a população se vê cada vez mais insegura e desacreditada. O problema, embora tenha raízes sociais complexas, não pode ser tratado com passividade.

Os efeitos já são visíveis: escuridão, insegurança, retorno do descarte irregular de lixo e prejuízos a atividades ambientais e educativas. O espaço que deveria ser de lazer e proteção ambiental volta a se degradar rapidamente, impactando toda a comunidade.

É cômodo adotar a postura introvertida de tomar providências apenas depois do crime consumado ou de vomitar regrinhas prosaicas recomendando que a própria população se proteja. A criminalidade é oportunista e ocupa espaços onde a segurança não se faz presente.

Diante disso, é essencial o estabelecimento firme de ações realmente integradas, de forma estratégica e preventiva. Reforço no policiamento, manutenção constante e políticas sociais devem caminhar em parceria para eliminar esse quadro de indecência.

Conter episódios como esse é fundamental para preservar o patrimônio público e para prestigiar iniciativas comunitárias que fazem a diferença na construção de uma cidade melhor.