Mais um trem fora da linha
Prazos precisam ser acompanhados, cobrados e cumpridos. Novo descarrilamento é mais um sinal de que não há espaço para atrasos ou indefinições

O descarrilamento de quatro vagões carregados de grãos, ocorrido domingo na região da Represa Municipal, volta a acender o alerta sobre os riscos da presença da ferrovia em áreas urbanas de Rio Preto. O acidente não deixou feridos, mas interrompeu temporariamente o tráfego ferroviário e espalhou toneladas de milho no entorno da linha.
O episódio reforça uma preocupação antiga: a convivência entre trens de carga e o trânsito urbano impõe riscos e transtornos que precisam ser definitivamente superados, para que nunca mais aconteça o que Rio Preto nunca vai esquecer: a tragédia do Jardim Conceição, com 8 mortes.
O próprio descarrilamento de domingo ocorreu em uma região de circulação intensa e próxima a estruturas viárias importantes da cidade. Por isso, é fundamental que o cronograma da chamada solução integrada seja cumprido rigorosamente.
O projeto sob responsabilidade da concessionária Rumo reúne mais de 30 intervenções em Cedral, Mirassol e Rio Preto, sendo 18 delas somente em Rio Preto, com o objetivo de separar definitivamente o tráfego ferroviário do trânsito urbano.
A proposta prevê a eliminação das passagens em nível e a redução da necessidade de acionamento das buzinas pelos trens. Em Rio Preto, estavam previstas oito soluções em desnível, que incluem seis passarelas de pedestres, viadutos, passagens inferiores e a vedação da faixa de domínio, entre outros.
No distrito de Engenheiro Schmitt, o planejamento incluiria dois viadutos rodoviários, uma passarela de pedestres, o fechamento dos cruzamentos em nível e a vedação da faixa de domínio. São intervenções que representam uma mudança estrutural na relação da cidade com a ferrovia.
Reportagens do Diário, com base no projeto da solução integrada, mostraram que a previsão de entrega das intervenções seria até 2028, mas obras importantes no Centro, como as previstas nas ruas Bernardino de Campos e General Glicério, ainda não foram iniciadas. É justamente aí que reside a preocupação: prazos precisam ser acompanhados, cobrados e cumpridos.
O descarrilamento deve servir como mais um sinal de que não há espaço para atrasos ou indefinições. A efetiva construção de tudo o que foi planejado não elimina, a propósito, a possibilidade de que, num futuro não tão distante, Rio Preto tenha lideranças com a capacidade e a coragem de retomar o projeto do contorno ferroviário, com a perspectiva de utilizar o atual traçado da linha férrea para o transporte coletivo e turístico.