Inflação que pesa no bolso
Na região de Rio Preto, cuja economia combina força do agronegócio, comércio diversificado e prestação de serviços, os efeitos da inflação são facilmente percebidos

Um dado que poderia parecer positivo – no caso, a desaceleração da inflação em maio – esconde um cenário ainda preocupante para os brasileiros. Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58% no mês passado, abaixo dos 0,67% registrados em abril. O problema é que se trata da maior inflação para um mês de maio dos últimos cinco anos e, pior, de um índice que mantém o País acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
Mais do que dados estatísticos, o que realmente importa para a população é a realidade encontrada no supermercado, na conta de energia elétrica e nas despesas básicas do dia a dia. E foi justamente nesses itens que a inflação voltou a mostrar força. Os alimentos responderam por metade da alta registrada em maio, impulsionados por aumentos expressivos em produtos presentes na mesa dos brasileiros, como batata, tomate, cebola e carnes.
Para as famílias, especialmente as de menor renda, a sensação é de que a inflação continua corroendo o poder de compra. A desaceleração observada em maio representa apenas uma redução no ritmo da alta dos preços, não uma queda efetiva dos custos. Ou seja, o orçamento doméstico segue pressionado.
A situação torna-se ainda mais preocupante quando se observa o cenário econômico mais amplo. Com a inflação acumulada em 12 meses atingindo 4,72%, acima do limite de tolerância da meta oficial, cresce a possibilidade de que os juros permaneçam elevados por mais tempo. Hoje, a taxa Selic está em 14,5% ao ano, um dos patamares mais altos do mundo.
Juros elevados ajudam a conter a inflação, mas também encarecem o crédito, dificultam investimentos, freiam o consumo e reduzem o ritmo da atividade econômica. É uma equação que afeta diretamente empresários, produtores rurais, comerciantes e consumidores.
Na região de Rio Preto, cuja economia combina força do agronegócio, comércio diversificado e prestação de serviços, os efeitos desse cenário são facilmente percebidos. O produtor enfrenta custos elevados, o empresário encontra mais dificuldades para financiar expansão e o consumidor adia compras diante do crédito caro. O resultado é uma economia que cresce abaixo de seu potencial.
Ainda que tenha perdido fôlego em maio, a inflação continua a perturbar o bolso da população. O desafio continua sendo devolver estabilidade aos preços sem sufocar ainda mais a atividade econômica. Enquanto isso não acontece, o brasileiro segue fazendo o que tem feito nos últimos anos: adaptando o orçamento, cortando gastos e tentando fazer render um salário cada vez mais pressionado pelo custo de vida.