Fechando o cerco
A intensificação da fiscalização e das multas a quem não cuida do seu terreno é importante, mas a Prefeitura também precisa cumprir a sua parte com o mesmo rigor

O aumento de 60% das multas aplicadas contra proprietários de terrenos sujos, na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o de 2025, mostra que a Prefeitura de Rio Preto resolveu apertar o cerco contra quem não faz o básico. Em uma cidade que convive com surtos recorrentes de dengue e com o avanço silencioso de animais peçonhentos, fazer pesar o bolso dos “sujões” é medida necessária que tem relação direta com a saúde pública.
A alta expressiva nas autuações, especialmente nas calçadas e terrenos particulares, revela que há um problema disseminado de negligência. Terrenos abandonados, mato alto e entulho acumulado formam um ambiente ideal para o mosquito transmissor de doenças como dengue, chikungunya e zika, além de servir de abrigo para escorpiões, cuja presença nas áreas urbanas é cada vez mais preocupante.
Esse compromisso com a limpeza é essencial para evitar dramas como o vivido pela família do pequeno Luiz Roberto, de apenas 2 anos, que precisou ser internado em estado grave na UTI do Hospital da Criança e Maternidade (HCM), após ser picado no dedo por um escorpião no Parque Estoril, na semana passada. Felizmente, o menino recebeu alta no último domingo, 29, e está bem. Mas o desfecho poderia ter sido outro.
A intensificação da fiscalização e das multas cumpre um papel pedagógico importante, mas a Prefeitura também precisa cumprir a sua parte com o mesmo rigor que exige da população. As reclamações sobre mato alto em praças, canteiros e terrenos pertencentes ao próprio município são frequentes. Não há coerência em multar o cidadão enquanto áreas públicas permanecem mal cuidadas, transmitindo a sensação de abandono e, pior, oferecendo os mesmos riscos sanitários que se tenta combater nos imóveis privados.
A credibilidade da fiscalização depende diretamente do exemplo. Quando o poder público zela pelos próprios espaços, ele não apenas reforça a autoridade de suas ações, como também estimula uma cultura de cuidado coletivo.
A limpeza urbana é um dos pilares da saúde pública. Um terreno sujo não é apenas um problema visual, mas um potencial foco de doenças e um esconderijo para animais perigosos. É preciso manter e até ampliar o rigor contra quem insiste em descuidar de seus imóveis, mas com a contrapartida de uma atuação firme e constante da própria Prefeitura na manutenção das áreas públicas.
Ao fim e ao cabo, não se trata de escolher entre punir ou cuidar, mas de fazer ambos com seriedade. Porque, quando o assunto é saúde coletiva, não há espaço para descuido - seja ele privado ou público.