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EDITORIAL

Educação em primeiro lugar

Cada estudante que abandona a escola reduz suas chances de progredir em sua formação. Ao mesmo tempo, a sociedade fica sem profissionais qualificados, criando um círculo vicioso

por Da Redação
Publicado em 14/07/2026 às 00:13
Editorial (Divulgação)
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Há índices que, analisados isoladamente, podem parecer modestos e de baixo impacto. A taxa de abandono escolar de 3,6% registrada nas escolas públicas de Rio Preto em 2025 é um deles. Mas basta olhar a série histórica para compreender a gravidade. O índice voltou a crescer e já se aproxima dos 4,3% registrados em 2022, quando a pandemia ainda desorganizava completamente a rotina escolar. Naquele momento, o abandono atingiu seu ápice em razão de uma situação excepcional. Três anos depois, não há justificativa para que Rio Preto caminhe novamente na mesma direção.

O dado preocupa ainda mais quando se compara com a média nacional. Enquanto o Brasil conseguiu reduzir a evasão nas escolas públicas de 3,5% para 2,5%, Rio Preto fez o percurso inverso, passando de 2,7% para 3,6% entre 2024 e 2025. O contraste mostra que, embora o problema seja complexo e atinja todo o País, há fatores locais que precisam ser enfrentados com maior eficiência.

A história de Josiane da Silva, citada na reportagem do Diário do último domingo, 12, ajuda a dar dimensão humana a essa estatística. Problemas familiares a levaram a interromper os estudos no último ano do ensino médio. Hoje, aos 44 anos, ela ainda lamenta aquela decisão, que sequer foi uma escolha. É razoável supor que muitos adolescentes enfrentem dificuldades semelhantes, pressionados pela necessidade de trabalhar, pela desestrutura familiar, por problemas emocionais ou simplesmente pela incapacidade da escola de oferecer perspectivas capazes de mantê-los em sala de aula.

Mas a evasão escolar não é apenas um indicador educacional. Cada estudante que abandona o ensino médio reduz suas chances de acessar o ensino superior, obter melhor remuneração e progredir em sua formação. Ao mesmo tempo, a sociedade perde profissionais qualificados para o mercado de trabalho, criando um círculo vicioso e indesejável.

O programa Pé-de-Meia do governo federal representa um incentivo importante para milhares de estudantes, mas não substitui uma política educacional articulada. Permanecer na escola depende de uma rede de apoio que inclua ensino de qualidade, acompanhamento individualizado, acolhimento, transporte, alimentação adequada, orientação profissional e diálogo permanente com as famílias. Sem esse conjunto de ações, o benefício financeiro corre o risco de atacar apenas parte do problema.

Não há desenvolvimento sustentável quando parte dos jovens fica pelo caminho antes de concluir a educação básica. Rio Preto consolidou-se como polo de saúde, comércio, serviços e educação. Essa condição exige investimentos permanentes na formação de quem, em poucos anos, ocupará hospitais, empresas, escritórios, indústrias e o próprio setor público.

O abandono escolar não pode ser tratado como um efeito colateral inevitável. Cada aluno que deixa os estudos representa um fracasso que ultrapassa os muros da escola. Quando esses números voltam a crescer e se aproximam dos registrados no período mais dramático da pandemia, a resposta não pode ser de conformismo, mas de enfrentamento.