Dengue, vacina e prevenção
Escolhe-se prevenção e vacinação quando ela está disponível, ou escolhe-se a omissão, ao não eliminar criadouros, não se vacinar, não se informar?

A chegada de vacinas contra a dengue no Brasil inaugura um novo momento no enfrentamento da doença. Se antes o cidadão contava quase exclusivamente com medidas ambientais e de prevenção coletiva, agora passa a existir também uma ferramenta de proteção individual. A disponibilização da Qdenga pelo SUS e o avanço da vacina de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan ampliam o leque de possibilidades. Mais do que um avanço científico, isso cria um cenário claro de responsabilidade compartilhada.
Com a vacina disponível, primeiro para os profissionais da saúde e em breve de forma generalizada, o cidadão se vê diante de dois caminhos. O primeiro é o tradicional, conhecido há décadas: colaborar ativamente para impedir a proliferação do mosquito transmissor. Isso significa eliminar água parada, limpar calhas, tampar caixas-d’água e manter quintais organizados. São atitudes simples, mas que exigem disciplina contínua. Esse caminho não perdeu importância com a chegada das vacinas; ao contrário, continua sendo a base da prevenção coletiva.
O segundo caminho é complementar e igualmente decisivo: optar pela imunização quando elegível. Vacinar-se passa a ser um ato de juízo, de responsabilidade consigo mesmo e com a comunidade. Ao receber a vacina, a pessoa reduz significativamente o risco de desenvolver formas graves da doença. Ignorar essa possibilidade, por outro lado, é assumir conscientemente a vulnerabilidade diante de um vírus que historicamente sobrecarrega famílias e o sistema de saúde.
Nesse novo contexto, contrair ou não contrair dengue deixa de ser apenas uma questão de azar ou circunstância ambiental. Passa a envolver, de maneira mais explícita, uma escolha. Escolhe-se agir preventivamente dentro de casa e no entorno. Escolhe-se aderir à vacinação quando ela está disponível. Ou, alternativamente, escolhe-se a omissão: não eliminar criadouros, não se vacinar, não se informar.
É evidente que fatores estruturais e políticas públicas influenciam o cenário, mas o indivíduo agora dispõe de instrumentos concretos para reduzir seu risco. A ciência entregou novas ferramentas; cabe ao cidadão decidir como utilizá-las. A soma das escolhas individuais moldará o resultado coletivo.
Assim, a chegada das vacinas não elimina a responsabilidade tradicional, mas a amplia. Entre a prevenção ambiental e a imunização, desenha-se um campo de decisão pessoal. De um jeito ou de outro, será questão de escolha: agir com consciência para minimizar o risco ou permanecer exposto às consequências de uma doença que já não pode mais ser enfrentada apenas com desculpas ou inércia.