EDITORIAL

De mal a pior

É urgente que o poder público reveja prioridades, invista em planejamento de longo prazo e trate a gestão de resíduos como política estratégica

por Da Redação
Publicado há 2 horas
Editorial (Divulgação)
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O que já era ruim piorou. Índice divulgado nesta semana pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) revela que Rio Preto desceu um degrau no ranking de limpeza urbana, passando da nota “baixa”, em 2024, para “muito baixa”, em 2025.

Os dados não deixam dúvidas. Ano após ano, segundo o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana, a cidade vem se deteriorando. A nota mais alta recentemente foi obtida em 2020 (0,541) e, desde então, caiu sucessivamente até chegar a 0,499 em 2025.

Rio Preto não está sozinha nessa piora. São 63 municípios da região com desempenho insatisfatório (baixo ou muito baixo), enquanto 14 cidades alcançaram classificação “média” e 16 figuram na faixa “alta”.

O levantamento aponta uma falha persistente na gestão pública dessas cidades. São resultados previsíveis de políticas que não conseguiram se estruturar adequadamente para enfrentar o problema com a seriedade que ele exige. Naturalizar esse quadro é aceitar que o básico continue sendo mal feito.

Os critérios adotados pela Abrema dimensionam o tamanho da deficiência, que vai muito além do famigerado mato alto. O índice leva em conta o engajamento da população na destinação correta dos resíduos, a capacidade financeira das prefeituras para manter o sistema, os níveis de reciclagem e reaproveitamento e, por fim, o impacto ambiental gerado pelo descarte inadequado. Ou seja, mede exatamente o que define uma gestão eficiente e responsável.

Quando esses indicadores apresentam desempenho baixo, o que está em jogo vai muito além da nota em um ranking. Trata-se de coleta ineficiente, baixa taxa de reciclagem, pressão sobre aterros, riscos ambientais e, inevitavelmente, prejuízos à saúde pública. Trata-se também de dinheiro mal empregado, de políticas fragmentadas e de ausência de visão estratégica. É, em última instância, um retrato da incapacidade do poder público de transformar um serviço essencial em uma política moderna e sustentável.

As cidades do Noroeste paulista não podem normalizar o atraso, e Rio Preto, como polo da Região Metropolitana, tem responsabilidade ainda maior. É urgente que o poder público reveja prioridades, invista em planejamento de longo prazo e trate a gestão de resíduos como política estratégica, não como serviço periférico. Do contrário, o fundo do poço é o limite.