Combate à exclusão
Uma cidade verdadeiramente desenvolvida não é aquela que apenas atrai investimentos, mas aquela que é capaz de garantir que o progresso alcance a todos

Os dados não são nada bons: Rio Preto caiu ainda mais no Índice de Progresso Social (IPS) divulgado na semana passada. A queda tem sido contínua e persistente. Em 2024, a cidade ocupava o 158º lugar. Em 2025, caiu para a 246ª posição. Agora, em 2026, aparece em 270º.
O levantamento, focado em medir qualidade de vida dos municípios brasileiros, atribui notas de zero a 100 com base em 57 indicadores divididos em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Se nos dois primeiros quesitos a cidade vai bem (83,74 e 76,41, respectivamente), é em Oportunidades que a coisa zanga: 41,91. E, dentro desta dimensão, o que mais puxa a nota para baixo é Inclusão Social, avaliada em 14,70.
O IPS não tem como objetivo o constrangimento estatístico de autoridades, ao contrário. O que realmente importa é o que ele expõe: uma cidade economicamente forte, estruturalmente organizada em muitos aspectos (notadamente em saneamento básico), mas incapaz de incluir parte significativa da própria população.
É impossível ignorar a relação entre esse resultado e a realidade visível das pessoas em situação de rua. Não é uma situação nova, é importante ressaltar, mas falta uma política pública mais consistente. Mais do que uma questão de desconforto social, é uma questão de cidadania e de segurança pública.
Há, sim, iniciativas louváveis neste sentido, como o mutirão Pop Rua Jud, que reúne entidades sociais, grupos religiosos, Judiciário, Defensoria e a própria Prefeitura. Esse é um trabalho essencial para resgatar a dignidade de pessoas que vivem nas ruas, mas é necessário um plano mais efetivo do poder público neste sentido. Uma cidade que convive passivamente com o aumento da vulnerabilidade extrema produz consequências para todos, e tratá-lo apenas como assunto de assistência social é um erro.
Melhorar indicadores sociais não deve ser uma corrida para subir posições em rankings, mas garantir que menos pessoas sejam empurradas para a exclusão social. Para isso, são necessárias políticas públicas permanentes, articuladas e corajosas, ampliando programas de saúde mental, combate à dependência química, qualificação profissional e geração de renda.
O IPS revela uma contradição importante: desenvolvimento econômico não significa automaticamente progresso social. Uma cidade verdadeiramente desenvolvida não é aquela que apenas atrai investimentos ou ostenta bons índices de infraestrutura, mas aquela que é capaz de garantir que o progresso alcance a todos, sem distinção.