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EDITORIAL

Alerta e avanço

por Da Redação
Publicado em 24/02/2026 às 03:01
Editorial (Divulgação)
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Reportagem publicada no domingo, 22, pelo Diário mostra um salto no número de medicamentos controlados distribuídos pela rede municipal de saúde de Rio Preto - de 13,1 milhões em 2024 para 27,4 milhões em 2025. A estatística é, ao mesmo tempo, um sinal de alerta e um indicativo de avanço. Alerta porque evidencia o crescimento dos transtornos mentais, e avanço porque revela que mais pessoas estão procurando ajuda.

Os dados dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), com aumento no número de pacientes atendidos, reforçam essa dupla realidade: há mais sofrimento psíquico circulando, mas também há mais consciência de que ele precisa ser tratado.

O Brasil, segundo estimativas do Observatório de Saúde Pública, lidera índices globais de ansiedade. Milhões convivem com sintomas que vão da tristeza persistente ao isolamento, da insônia às crises de pânico. Não se trata de fragilidade moral, falta de fé ou "drama". Trata-se de saúde pública.

Durante décadas, o cuidado com a mente foi cercado de preconceito. Procurar psiquiatra era sinônimo de rótulo. Tomar antidepressivo era visto como fraqueza. Fazer terapia era luxo. Esse imaginário, felizmente, vem sendo desmontado.

Histórias como as de Diana Rodrigues Silva e Maria (nome fictício) mostram que o tratamento transforma trajetórias. Medicamentos, quando bem indicados, ajudam a regular o que está desajustado biologicamente. A psicoterapia ensina a reorganizar pensamentos, enfrentar gatilhos, desenvolver estratégias. Atividade física, rotina estruturada e rede de apoio compõem o cuidado integral.

É verdade que o aumento na necessidade de medicamentos exige atenção das autoridades da saúde pública. Mas é igualmente verdade que o crescimento na procura por tratamento revela amadurecimento social.

Há tempos a saúde mental deixou de ser um tabu para ocupar o centro do debate público. Que os números crescentes não sejam apenas estatísticas, mas o reflexo de uma sociedade que, finalmente, começa a compreender que cuidar da mente é tão essencial quanto tratar o corpo.

Entre o aumento dos casos e a ampliação da consciência, há um desafio imenso, mas também há esperança. E esperança, quando sustentada por políticas públicas e informação de qualidade, pode ser o primeiro passo para uma cidade mais saudável, acolhedora e humana.