EDITORIAL

A força do ensino técnico

O ensino técnico tem se mostrado uma alternativa concreta para jovens que desejam ingressar mais rapidamente no mercado de trabalho

por Da Redação
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
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Dados do Censo Escolar, divulgados nesta semana pelo Diário, mostram um dado bastante positivo: o avanço da educação profissionalizante em Rio Preto. Entre 2024 e 2025, o número de estudantes matriculados no ensino técnico na cidade saltou 47,5%, passando de 4.759 para 7.008. O expressivo crescimento está inclusive bem acima da média registrada no Estado de São Paulo (19,32%) e no Brasil (23,74%).

Mais significativo ainda é o aumento entre os jovens de até 17 anos. Nesse grupo, as matrículas mais que dobraram: passaram de 1.518 para 3.933 no período. As mulheres continuam sendo maioria, 3.889 contra 3.119 homens. São dados importantes que mostram o interesse acentuado dos estudantes de conciliar o ensino médio com uma formação técnica.

Há razões claras para esse aumento. O ensino técnico tem se mostrado uma alternativa concreta para jovens que desejam ingressar mais rapidamente no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, permite que o estudante conclua o ensino médio com uma qualificação profissional, ampliando suas possibilidades de renda e empregabilidade.

Instituições como o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e a Etec Philadelpho Gouvêa Netto são exemplos de como essa modalidade pode agregar valor à formação dos jovens. Cursos como Informática, Automação Industrial, Desenvolvimento de Sistemas, Mecatrônica e Administração dialogam diretamente com demandas do mercado regional e ajudam a aproximar a escola da realidade profissional.

No entanto, como alertam especialistas, o crescimento da educação profissionalizante também traz desafios que não podem ser ignorados. O primeiro deles é a garantia de qualidade. A expansão das matrículas precisa vir acompanhada de infraestrutura adequada, laboratórios atualizados, professores qualificados e currículos alinhados às demandas do mercado. Sem esses elementos, o risco é transformar o ensino técnico apenas em uma promessa de qualificação que não se concretiza.

Outro ponto de atenção é o papel social que essa modalidade pode acabar assumindo. O ensino técnico é extremamente positivo quando amplia as opções dos jovens. O problema surge quando ele passa a ser, na prática, a única alternativa viável para estudantes de menor renda, enquanto o ensino superior continua sendo mais acessível para parcelas mais privilegiadas da população.

A educação profissional não pode se tornar uma forma de segmentação precoce do sistema educacional, separando trajetórias acadêmicas e profissionais com base na condição socioeconômica.

Rio Preto tem motivos para comemorar os dados do Censo Escolar. O crescimento demonstra que a cidade está fortalecendo um caminho importante de formação e qualificação de jovens. Mas é fundamental garantir qualidade, diversidade de oportunidades e políticas educacionais que ampliem - e não restrinjam - as escolhas dos estudantes.