ARTIGO

Duas lições

Como o Brasil não fez a lição de casa, ficamos cada vez mais vulneráveis

por Laerte Teixeira da Costa
Publicado em 25/08/2026 às 20:57Atualizado em 25/08/2026 às 21:00
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Lição tem vários significados e o que mais gosto é “um aprendizado obtido através de uma experiência de vida”. Nas inúmeras viagens que fiz, geralmente em cumprimento de tarefas profissionais, ouvi muitas lições. Vou citar duas.

A primeira, ouvi em aula do saudoso professor Heraldo Barbuy. Corria o ano de 1965, em São Paulo, e ele ministrava originais e inéditas lições sobre ambientalismo e informava que ouviríamos muito sobre o tema nas décadas futuras. Já alertava sobre o desmatamento da Amazônia e dizia que os prejudicados seriam os próprios brasileiros. Acertou.

Mais de duas décadas depois, foi em aula com um professor brasileiro nos Estados Unidos, em curso que fiz no George Meany Center, fundado em 1969 e fechado em 2014, com acervos transferidos para a Universidade de Maryland. Dizia ele que a destruição da Amazônia só interessava aos brasileiros, pois os estudos americanos mostravam que as consequências ficariam por aqui mesmo.

Assistindo a debates sobre as causas das enchentes gaúchas, soube que provêm da umidade amazônica os chamados rios voadores. Não me sinto capaz de discorrer sobre isso, mas as correntes de ventos que vêm de lá, em contato com frentes frias do próprio Sul, provocam intensas chuvas. Devem existir outras causas, entre elas o tradicional relapso nacional em preservar suas áreas naturais.

A segunda lição ocorreu nos confins do Oceano Índico, em Porto Luis, capital das Ilhas Maurício (novembro de 1993). Assistindo à palestra de um alemão que falava sobre a tendência dos negócios no mundo: “Os melhores negócios estão na América do Sul, no Brasil, país com vasto território, grandes recursos naturais e muitas estatais promissoras. País com maus governantes (maus governantes é licença poética minha), onde está tudo à venda”. Passei vergonha, pois os colegas me perguntavam se era verdade. O tempo mostrou!

Como o Brasil não fez a lição de casa, ficamos cada vez mais vulneráveis. Colocou tudo à venda: estatais, petróleo, depois o pré-sal e, agora, as tais terras raras e, no futuro, o petróleo da Bacia Equatorial do Amazonas. E não adiantam as bravatas: não temos poder de barganha, nossas forças estão deterioradas e, pior, tudo indica que a corrupção aumentou de lá para cá. Trump faz o que quer. Pobre Brasil!

Laerte Teixeira da Costa

Vice-presidente da UGT e ex-vereador em São José do Rio Preto.