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EDITORIAL

Drones e civilidade

Jogar lixo em locais públicos não é um “descuido”, nem um “jeitinho”; trata-se de uma infração que agride diretamente o meio ambiente e coloca em risco a saúde pública

por Da Redação
Publicação em 29/04/2026
Editorial (Divulgação)
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O salto tecnológico verificado nas últimas décadas, nas mais diversas áreas, trouxe incontáveis facilidades e inúmeros avanços à humanidade. Pena que todo esse progresso não seja capaz de incutir em certas pessoas o básico da civilidade.

Reportagem desta terça-feira, 28, do Diário revela que a Guarda Civil Municipal (GCM) de Rio Preto passará a operar dez drones doados pela Receita Federal para fiscalizar o descarte irregular de lixo e entulho na cidade. Chega quase a ser um paradoxo: o uso de uma tecnologia recente para coibir ações criminosas e lamentáveis que há muito tempo deveriam ter sido banidas da vida em sociedade.

Os números, por si só, já expõem a gravidade do problema. Em pouco mais de dois anos, foram registradas 87 autuações contra indivíduos que insistem em tratar a cidade como um depósito a céu aberto. Somente nos primeiros meses de 2026, já são 23 multas. Isso não revela apenas falha de fiscalização, mas uma preocupante ausência de consciência coletiva.

Jogar lixo em locais públicos não é um “descuido”, nem um “jeitinho” para economizar tempo ou dinheiro. Trata-se de uma infração que agride diretamente o meio ambiente, degrada o espaço urbano e, mais grave ainda, coloca em risco a saúde pública. O acúmulo de resíduos favorece a proliferação de insetos, roedores e doenças, além de contaminar o solo e comprometer a qualidade de vida de toda a população.

Casos recentes beiram o absurdo. O flagrante de descarte de substâncias com odor semelhante a esgoto em área pública demonstra um nível de irresponsabilidade que ultrapassa qualquer tolerância. Não se trata apenas de sujeira: é potencial contaminação, risco sanitário e desrespeito explícito à coletividade.

E o mais revoltante: não faltam alternativas. O município dispõe de 14 pontos de apoio adequados para o descarte de materiais. Ou seja, quem insiste em agir de forma irregular o faz por escolha.

Diante desse cenário, o uso de drones pela GCM é não apenas bem-vindo, mas necessário. A tecnologia deve, sim, ser utilizada para identificar, coibir e punir os infratores. Multas mais severas, apreensão de veículos e responsabilização criminal são medidas justas para quem insiste em agir à margem da lei.

Mas é preciso ir além da punição. Nenhuma cidade se sustenta apenas com fiscalização. A verdadeira transformação depende de mudança de mentalidade. Civilidade não se impõe apenas com multas, mas com educação e exemplo.

Rio Preto não pode ser refém de uma minoria que insiste em sujar o que é de todos. Cuidar da cidade é uma obrigação coletiva. Quem não entende isso precisa, finalmente, aprender: viver em sociedade exige respeito. E não emporcalhar o lugar onde todos vivem é o básico.