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Doença periodontal: o inimigo silencioso que vai além da boca

por Aline Riboldy
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Doença periodontal (Lézio Jr.)
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Doença periodontal (Lézio Jr.)
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Você nota um leve sangramento ao usar o fio dental ou ao escovar os dentes e pensa: “Forcei demais a escova”. Ignora o sinal e segue a vida. Esse cenário comum é, na verdade, o primeiro alerta de uma condição que afeta uma parcela gigantesca da população adulta mundial: a doença periodontal. Diferente da cárie, que causa dor aguda e buracos visíveis, os problemas gengivais costumam agir de forma silenciosa, indolor e progressiva, o que os torna extremamente perigosos para a longevidade do seu sorriso e para a sua saúde geral.

​A doença periodontal é uma infecção bacteriana crônica que afeta as estruturas que sustentam os dentes: a gengiva, o ligamento periodontal e o osso alveolar. Tudo começa com o acúmulo de placa bacteriana (biofilme). Quando a higiene oral é deficiente, essa placa endurece e se transforma em tártaro (cálculo), criando um ambiente rugoso ideal para a proliferação de bactérias mais agressivas.

​O primeiro estágio é a gengivite. A gengiva fica vermelha, inchada e sangra facilmente. A boa notícia é que, nesta fase, o dano é reversível com limpeza profissional e melhora na higiene doméstica. No entanto, a ausência de dor faz com que muitos pacientes adiem a consulta. É aí que o quadro evolui para a periodontite.

​Na periodontite, a inflamação penetra profundamente. As toxinas bacterianas e a resposta inflamatória do próprio corpo começam a destruir o osso e os tecidos conectivos que seguram o dente. Formam-se as chamadas “bolsas periodontais” — espaços entre o dente e a gengiva onde a infecção se aloja e onde a escova não alcança. Os sinais de alerta tornam-se mais graves: mau hálito persistente, retração gengival (dentes parecem mais longos), sensibilidade e, eventualmente, mobilidade dentária. Sem tratamento, o dente perde sustentação e cai.

​Mas o risco não se limita à boca. A medicina moderna já comprovou a conexão sistêmica. A boca é a porta de entrada do corpo, e as bactérias periodontais podem cair na corrente sanguínea, elevando o risco de doenças cardiovasculares, AVC e endocardite bacteriana. Existe também uma via de mão dupla perigosa com o diabetes: o diabetes descontrolado piora a inflamação gengival, e a infecção periodontal dificulta o controle da glicemia. Em gestantes, a doença está associada a partos prematuros e bebês com baixo peso.

​Fatores de risco como o fumo (tabagismo), estresse, predisposição genética e alterações hormonais podem acelerar a destruição óssea. Fumantes, especificamente, têm um agravante: o cigarro mascara o sangramento, fazendo a doença parecer menos grave do que realmente é.

​A prevenção é simples, mas exige disciplina diária. O uso do fio dental não é opcional; é a única ferramenta capaz de limpar entre os dentes, onde a doença geralmente começa. Escovação correta após as refeições e visitas semestrais ao dentista para raspagem e profilaxia são o tripé da saúde bucal.

​Não espere a dor chegar ou o dente amolecer. Sangramento gengival não é normal; é um pedido de socorro do seu corpo. Cuidar da gengiva é, acima de tudo, um ato de cuidado com o seu coração e com a sua saúde integral.