Dilemas econômicos
O crescimento da economia demanda taxas de juros reduzidas, estabilidade das regras, capital humano capacitado e boas condições de investimentos produtivos

O mundo contemporâneo nos impõe grandes desafios e oportunidades, este ambiente marcado pelo crescimento da tecnologia, pelo aumento da concorrência e por um cenário de grandes incertezas exigem uma grande liderança com capacidade de compreender as mudanças econômicas, as transformações políticas e geopolíticas, sob pena de ficarmos para trás nos novos arranjos econômicos e produtivos, perdendo espaço nas cadeias globais.
Neste cenário, encontramos uma economia marcada por grandes dificuldades e inúmeros dilemas, de um lado, sabemos que precisamos crescer economicamente para incluir a população no mercado de consumo e, de outro lado, o governo não possui força política para mudar este modelo econômico. O crescimento da economia demanda taxas de juros reduzidas, estabilidade das regras, capital humano capacitado e boas condições de investimentos produtivos, tudo isso contribui diretamente para que a economia cresça e se diversifique, gerando emprego e desperte o espírito animal dos setores produtivos.
Vivemos num ambiente econômico, onde as taxas de juros elevadas foram escaladas para evitar que os preços não aumentem de forma exagerada e a inflação não ganhe espaço no cotidiano da população, inflação essa que reduz a renda e empobrece a população, gerando graves constrangimentos políticos e eleitorais para os governos. No caso nacional, com estas taxas de juros elevadas, vivemos estimulando um ambiente descrito pelos economistas como stop and go, a economia cresce um pouquinho e depois perde tração e os governos são obrigados a aumentar as taxas de juros internas para evitar o crescimento inflacionário. Com o aumento dos juros a renda da população se reduz, o desemprego cresce e o salário dos trabalhadores perde espaço, desta forma os grandes ganhadores deste modelo são os rentistas e os financistas, não investem nenhum centavo, controlam os meios de comunicações, manipulam comentaristas econômicos com mesadas generosos e difundem que os vilãos desta situação são os ganhadores das políticas públicas governamentais.
Nos anos 1990, o governo brasileiro seguiu o receituário liberal dominante na época, que preconizava o livre fluxo de capitais externos, onde os recursos estrangeiros poderiam entrar e sair rapidamente nas economias, sem restrições tributárias e sem amarras institucionais, desta forma os “investidores” externos tinham mais liberdade e poderiam escolher os ambientes mais atrativos, locais que garantissem grandes retornos econômicos, privatizações de ativos governamentais e aberturas econômicas, além de facilidades de movimentações financeiras, todas essas vantagens que beneficiam os rentistas existem desde então, os governos (alguns vistos como de esquerda e outros de direita) se alternaram nestes trinta anos e nenhum se mobilizou para reduzir essa liberalização financeira e seus custos econômicos e produtivos para a economia nacional, este modelo econômico e financeiro estimula a jogatina interna e transforma o país num verdadeiro paraíso fiscal e impede a construção de um verdadeiro projeto nacional.
Vivemos num ambiente onde os juros elevados estão no centro do modelo econômico implantado nos anos 1990 como forma de remunerar os capitais especulativos e limitando os investimentos produtivos, isso acontece porque ao reduzir os juros internos os capitais estrangeiros fogem do país, desvalorizando o câmbio e pressionando os preços internos, exigindo juros elevados para estabilizar o câmbio e reduzir os preços. Estamos vivendo um dos grandes dilemas econômico e não vislumbro uma solução definitiva, para resolver este dilema precisamos de força política, algo impensável num ambiente polarizado.
Ary Ramos da Silva Júnior
Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.