Da aula inaugural ao mundo: novo ciclo da FAMERP
Esse crescimento não se deu por abstração, mas pela presença concreta no SUS

A aula inaugural de 15 de abril de 1968 não foi apenas o início de uma escola médica no interior paulista. Foi a criação de um ponto de irradiação de conhecimento, assistência e formação em saúde que, ao longo de 58 anos, ajudou a moldar o próprio desenvolvimento de São José do Rio Preto e de toda a região.
A Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) nasceu com uma vocação clara: formar profissionais conectados à realidade brasileira. Essa vocação permanece, mas o seu alcance se expandiu. Hoje, a instituição abriga também os cursos de Enfermagem e Psicologia e avança na implantação de novas graduações, ampliando a formação multiprofissional em um momento em que o cuidado em saúde exige integração e complexidade.
Esse crescimento não se deu por abstração, mas pela presença concreta no SUS. Integrada ao complexo hospitalar da Funfarme, um dos maiores do país, a FAMERP forma profissionais em contato direto com a vida real, onde ciência e decisão clínica se encontram todos os dias. É nesse ambiente que se consolidam também alguns dos principais programas de residência médica e multiprofissional do Brasil, com procura nacional e presença internacional.
A qualidade dessa trajetória é verificável. A nota máxima no Exame Nacional de Medicina e o desempenho consistente na pós-graduação stricto sensu posicionam a instituição entre as referências públicas estaduais, ao lado de escolas como USP, Unesp e Unicamp. Mais do que reconhecimento, esses resultados indicam capacidade de sustentar um projeto acadêmico de longo prazo.
Ao mesmo tempo, a produção científica da FAMERP vem ganhando escala e relevância. A participação em estudos clínicos de grande impacto, em parceria com Fapesp, CNPq e Instituto Butantan, mostra que o conhecimento gerado em Rio Preto dialoga com desafios globais, especialmente em doenças que afetam países tropicais.
É a partir dessa base que a instituição inicia um novo ciclo. A internacionalização deixa de ser uma agenda periférica e passa a organizar prioridades: ampliar a mobilidade acadêmica, integrar redes de pesquisa e inserir docentes e alunos em circuitos globais de produção científica.
Não se trata de deslocar a FAMERP de sua origem, mas de projetá-la a partir dela. O que se leva ao exterior é uma experiência construída em escala, dentro do SUS, com impacto direto na população.
Ao completar sua trajetória iniciada em 1968, a FAMERP não apenas celebra sua história. Define, com clareza, o seu próximo movimento.
Prof. Dr. Helencar Ignácio
Diretor-geral da FAMERP e Presidente dos Conselhos Funfarme.