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ARTIGO

Criatividade: o elixir da juventude

O desenvolvimento de atividades criativas está relacionado à chamada “idade cerebral”

por Fábio Rogério de Moraes
Publicado em 06/07/2026 às 19:16Atualizado em 06/07/2026 às 20:14
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Lembro de vários momentos ao longo do primeiro ano de vida de cada um dos meus filhos: as brincadeiras repetidas, os blocos de montar jogados ao chão inúmeras vezes, o mesmo livro escolhido repetidas vezes, o bater incessante das colheres nos pratos e na mesa. Eles precisam fazer o que muitos cientistas fazem nos grandes laboratórios de pesquisa: experimentar.

Esse ato de repetir práticas é o cerne do que chamamos de método científico, o grande responsável por todo o desenvolvimento tecnológico que vemos no mundo atual. E fazer novos experimentos exige, em grande parte, uma forma criativa de buscar soluções.

Quando nos deparamos com algo que não conhecemos, às vezes simplesmente não sabemos o quão arriscada pode ser uma solução. Como um bebê que quer muito mexer nas tomadas e não vê problema em colocar o dedo, ou um brinquedo, lá dentro, ou, ainda, brincar com uma formiga… o que pode dar errado?

Esse jeito de explorar o mundo nos acompanha por grande parte da vida, e muitas tarefas, científicas ou não, exigem de nós certa dose de criatividade para desenvolver novas habilidades. Aprender um instrumento musical, dançar, pintar um quadro ou fazer crochê. Há um leque quase infinito de possibilidades a explorar. Além de uma boa diversão, essas atividades podem ajudar a nos manter jovens, não apenas de espírito, como pode parecer nos casais animados de um baile da terceira idade, mas também deixar nosso cérebro mais jovem.

Estudos recentes mostram que o desenvolvimento de atividades criativas está relacionado à chamada “idade cerebral”. Um grupo de cientistas liderados por Agustin Ibáñez, neurocientista da Universidade Adolfo Ibáñez, em Santiago do Chile, mapeou as conexões cerebrais e conseguiu criar uma correlação entre a forma como essas conexões se organizam e a idade do cérebro. Já era conhecido da comunidade científica que existe um padrão de conexões entre nossos neurônios relacionado à nossa idade, chamado de conectividade cerebral. Ao aplicar essa métrica em pessoas que praticam atividades criativas, os cientistas descobriram que o cérebro delas apresentava padrões de conexão mais jovens do que o de pessoas da mesma idade que não se envolvem com práticas criativas.

O grupo estudou praticantes de tango, artistas, músicos e jogadores de videogame, todas atividades que exigem um certo grau de criatividade para serem bem executadas. E quanto maior a habilidade dos praticantes, maior era a diferença entre a idade biológica e o quão rejuvenescido o cérebro se mostrava frente às conexões avaliadas.

A dica é simples: encontre uma atividade criativa prazerosa e se dedique. Assim, seu cérebro continuará jovem e, de quebra, seu espírito também.

Fábio Rogério de Moraes

Físico, Auxiliar de Pesquisa, IBILCE - UNESP