COLUNA DO DIÁRIO

Conselho da Saúde vai para porta das UPAs e UBSs pedir opinião dos usuários

Presidente do colegiado diz que equipe de 'busca ativa' fará também avaliação da estrutura física e que trabalho será permanente

por Maria Elena Covre
Publicado há 12 minutos
O presidente do Conselho Municipal da Saúde de Rio Preto, Fernando Araújo (em primeiro plano), com o secretário municipal da Saúde, Rubem Bottas, ao f (Divulgação/Prefeitura de Rio Preto)
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O presidente do Conselho Municipal da Saúde de Rio Preto, Fernando Araújo (em primeiro plano), com o secretário municipal da Saúde, Rubem Bottas, ao f (Divulgação/Prefeitura de Rio Preto)
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O Conselho Municipal de Saúde de Rio Preto iniciou nesta semana uma versão “in loco” do Disque Saúde, que é o modelo atual pelo qual o usuário do SUS pode entrar em contato com o colegiado para reclamar, apresentar demandas ou, mais raramente, fazer sugestões.

Presidido pelo cirurgião-dentista, ex-vereador e ex-secretário de Saúde Fernando Araújo, o CMS colocou uma equipe técnica formada por um advogado do órgão, o secretário-executivo e coordenadores de distritos para o que ele chama de “busca ativa” de informações do serviço prestado pelo município. “Isso é inédito no controle social da Saúde”, diz Araújo.

Essa equipe itinerante, segundo o presidente do CMS, visitará todas as UBSs e UPAs, além de outros serviços, para conversar principalmente com pacientes, mas o trabalho não descarta ouvir outros personagens deste ecossistema, como médicos e funcionários. Ainda segundo ele, o trabalho inclui também observar e relatar a estrutura física dos prédios que abrigam os serviços, como acessibilidade, manutenção e adequação, por exemplo.

“O Disque Saúde é uma espécie de ouvidoria. A Secretaria da Saúde tem uma ouvidoria, mas que acaba sendo chapa-branca. Já o CMS é totalmente independente”, provoca Fernando Araújo, embora ele insista que não se trata de uma “fiscalização”.

“Não vamos passar pano, mas não queremos conflito. A ideia é ouvir o usuário, como se eles estivessem falando com o disque, com o propósito de buscar a solução para o problema e não criar polêmica”, continua.

Segundo Fernando Araújo, o CMS tem um “potencial enorme” de mapear os problemas de forma a nortear sua atuação com base em dados concretos. "Ficar esperando o usuário ligar acaba surtindo um efeito pequeno, além de um olhar limitado da situação", afirma.

Ele diz ainda que não se trata de um modelo com data para começar e terminar. “Nosso objetivo é que seja permanente. Além de usarmos essas informações, vamos também oferecê-las ao governo para que ele possa pensar suas ações também.”

As redes sociais se transformaram, em Rio Preto, num megafone poderoso para mostrar problemas vividos em tempo real pela população em UBSs, UPAs e afins. Especialmente quando vereadores e lideranças que se entendem bem com os algoritmos entram em cena.

A área, um eterno “calcanhar de Aquiles” dos governantes municipais, escalou sua eficácia como fator desencadeador de crises administrativas. E o Coronel Fábio Candido (PL), que soube manejar bem isso durante a campanha contra o antecessor, agora prova do próprio veneno. A conferir como a iniciativa do CMS vai impactar esse já conflagrado território.

NOTAS 

INDIGNADOS 1

Vereadores da base governista que abraçaram o desgastante projeto da nova Planta Genérica de Valores na Câmara eram pura indignação nesta segunda-feira, 30. Nos bastidores, eles reclamavam do fato de terem sido excluídos do evento no qual o prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), apresentou os resultados da revisão da PGV, que resultou na correção do valor venal de 114 mil imóveis.

INDIGNADOS 2

“Chamaram um monte de gente, empresários, representantes de entidades de classe, cartorários, corretores, imprensa. Mas ignoraram os vereadores que seguraram a bomba na Câmara”, esbravejou um “coronelista” da Casa.

INDIGNADOS 3

E não foi só. A frustração só cresceu entre apoiadores do Coronel com o fato de o governo ter marcado para as 10h desta terça, 31, a assinatura do contrato de PPP entre a Prefeitura e a Companhia Rio Preto Luz para a implantação do projeto Smart Rio Preto, no Partec.

INDIGNADOS 4

A concessão, de R$ 1,7 bilhão, prevê instalação de três mil câmeras na cidade, além de implementação de sistema de iluminação pública com LED e sistema semafórico. "O evento foi marcado em dia e horário de sessão que tem na pauta vários projetos de interesse do Governo. De novo, na hora da notícia boa, ficamos de fora”, completou o frustrado parlamentar.

ISS DA SAÚDE 1

Aliás, um dos projetos que estão pautados para primeira votação na sessão desta terça-feira, 31, visa justamente corrigir outra proposta do Executivo que rendeu intenso desgaste para o governo junto a prestadores de serviços de saúde. A iniciativa que vai a Plenário reintroduz a redução em 33% da base de cálculo do ISS para o setor, sem alterar alíquota. A atual gestão havia abolido esse “desconto” em projeto aprovado em outubro do ano passado. A medida impacta mais de 1,4 mil estabelecimentos, que empregam cerca de 20 mil pessoas e movimentam R$ 5 bi anuais.

ISS DA SAÚDE 2

O recuo do governo ocorreu diante de pressão de entidades que falam em nome do setor, como Acirp e Ciesp, entre outras. As lideranças empresariais argumentaram com o governo que a redução do ISS pode ampliar investimentos, estimular inovação e fortalecer o município como polo médico regional.

IMPASSE

E volta à pauta da sessão da Câmara desta terça projeto de lei complementar do Executivo que cria 50 vagas na Guarda Civil Municipal. A proposta, que já foi aprovada em primeira discussão, foi adiada na semana passada, quando seria apreciada quanto ao mérito. A medida travou na Casa em função de emenda do vereador de oposição João Paulo Rillo (PT), que eleva para 90 o número de vagas a serem criadas na GCM.

METIDA, EU?

Tudo indica que a polêmica do IPTU, dentre tantas outras, não afetou só a popularidade do prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL). Um vídeo postado no perfil pessoal de Josiane Candido no Instagram no final de semana mostra que o reposicionamento da imagem da primeira-dama também foi incluído no pacote de gestão de crise em curso no governo. Entre uma foto formal e um vídeo, no qual ela aparece dançando com crianças de uma escola do município, Josiane diz que só a considera metida quem não a conhece.

'Estou indo para o PL'

'Estou indo para o PL' (Divulgação)
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'Estou indo para o PL' (Divulgação)

Por meio de nota oficial, o vereador e pré-candidato a deputado estadual Bruno Moura oficializou, no final da tarde desta segunda-feira, 30, sua filiação ao PL do Coronel Fábio Candido (PL). As tratativas de Bruno Moura com o Partido Liberal foram reveladas em primeira mão pela Coluna do Diário na última quinta-feira. “2026 se aproxima, e quem viveu 2022 sabe o que está em jogo. Não é disputa entre políticos, é disputa entre projetos de Brasil. Entre quem acredita que a família é base da sociedade e quem quer desconstruir isso. Entre quem coloca segurança como prioridade e quem relativiza o crime. Entre quem trabalha pelo Brasil e quem trabalha pelo poder. Dito isso: estou indo pro PL”, diz trecho da nota divulgada pela assessoria do vereador. A confirmação ocorre às vésperas do fechamento da janela partidária, que ocorre na próxima sexta-feira, 4. Bruno Moura migrou recentemente do PRD, pelo qual se elegeu vereador, para o Podemos da deputada federal Renata Abreu. Com ela, o vereador fechou um pacto de dobrada para as eleições deste ano. Agora, Bruno Moura vai engrossar o pelotão de candidatos a deputado estadual que o Coronel Fábio Candido planeja lançar a fim de tirar votos no pleito deste ano de potenciais adversários dele em 2028, como os deputados estadual Danilo Campetti (Republicanos), Itamar Borges (MDB) e Valdomiro Lopes (PSB), além da ex-secretária estadual de Espertes Coronel Helena. Dois dos nomes que o PL já escalou para a disputa, além do Bruno Moura, são os do ex-comandante do Baep, o tenente-coronel Costa Júnior, e o da ex-secretária de Desenvolvimento Social Sandra Reis. O vereador Eduardo Tedeschi, também do PL, é outro que se diz pré-candidato pela legenda.